
Rui Gomes da Silva
Em Abril de 1972, ainda exilado em França, Mário Soares publicou “Portugal Amordaçado”.
E percebendo os riscos que a liberdade correria, sempre que há uma revolução feita em nome dela, publicou, 5 meses após o 25 de Abril de 1974, a versão portuguesa desse livro, considerado “… uma reflexão contra os perigos que espreitam a liberdade e a democracia …”!
Hoje, mais 51 anos após o 25 de Abril, a esquerda portuguesa, incapaz de convencer, pelos argumentos do combate democrático e da discussão de ideias, tenta a solução que, ao longo da História, acabou sempre a amordaçar a vontade popular.
Cada vez mais sem apoio e sem futuro, porque sem votos, essa mesma esquerda (como sempre com o apoio dos “idiotas úteis da direita” que vivem e existem por causa dessas solidariedades “libertárias”), desta vez, não se bastou em passar o combate ideológico para o nível da “judicialização” da política, com pacotes de transparência que tentassem atemorizar esses novos combatentes da liberdade!
De facto, quem se preparou para essa disputa – com eleições vencidas por todo o mundo – não se atemoriza com esses velhos truques.
O que levou a esquerda wokista e já quase sem qualquer representatividade eleitoral, a recorrer a outra situações marginais, capazes, por si só, de os fazer parecer estarem a ganhar o combate.
Contando – ou forçando mesmo – com a sustentação de um novo perigo para a democracia e a liberdade, … a da política sustentada em decisões dá justiça.
Um processo bem metido dá direito a uma decisão favorável … que demorará o tempo suficiente a ser revertida, para permitir a sensação de vitória … até os tribunais superiores colocarem um ponto final “à brincadeira e à festa”!!!
Que importa a liberdade de expressão, o delito de opinião, a interpretação abusiva e rebuscada de qualquer afirmação … tudo com um único objetivo, … o de condenar quem está cada vez mais perto de ganhar eleições e acabar com os desmandos de quem, mesmo sem votos para tal, mandava a seu bel prazer em tudo?
O medo desses poderes inorgânicos, dessas forças políticas sem representatividade, a viverem da aparência de poder que pode dar a presença exuberante nas ruas, de perder esse mesmo poder, leva-os a tentar seguir tudo o que possam achar útil para não desaparecerem.
Mesmo que para isso chamem a justiça não para o centro do debate, mas fazendo da utilização parcial e enviesada da justiça o eixo principal desse combate, tentando a sua politização (com uma parte dela a aceitar – infelizmente – participar).
Tentando, no limite, que mesmo mudando de políticos, não consigamos mudar de políticas.
Infelizmente para eles, acabou o poder da rua, já não há medo de revoluções de esquerda (tão mal tem andando os seus últimos exemplos pelo mundo fora) e a sua sempre invocada superioridade moral e ética já não consegue enganar mais ninguém.
E se o povo é quem mais ordena, não haverá mais o regresso a outro “Portugal amordaçado”!
Por muito que isso custe ao sistema e aos velhos donos disto tudo (quer em termos de dinheiro, quer em termos políticos)!
Pelo futuro … que será de quem acredita que vamos ser capazes de mudar o mundo!!!
Mas isso será em 2026!!!
Porque … por hoje … um Santo Natal para todos!!!

Rui Gomes da Silva
Em tempos de Natal… nada de temas fraturantes nem palavras que dividam os portugueses…
Por isso me veio à cabeça a preocupação de muitos analistas, tantos jornalistas e tantos políticos sobre a necessidade de defenderem aquilo a que eles chamam… “o regime”!
E dei comigo a pensar que terá sido essa a preocupação de muitos, ao longo da História, sem sucesso – diga-se – porque a vida faz-se dessa mesma evolução!
E dei comigo a recordar – para não ir muito lá para trás – que esse terá sido o drama dos defensores do “antigo regime” absolutista contra os ventos do liberalismo e da consagração das monarquias constitucionais.
Como o terá sido entre “vintistas” e “cartistas” ou, depois, sucessivamente, entre “cabralistas”, “fontistas”, “rotativistas”, “franquistas” ou “republicanos” (sem ser exaustivo), até ao 5 de Outubro de 1910.
Ou, já na Republica, entre cada um e os outros (tal foi a proliferação de governos, partidos e movimentos) ou entre estes – todos – e o “sidonismo”.
Ou entre os “democratas” e os adeptos da “ditadura nacional” e o que o “salazarismo” fez dessa mesma ditadura e – sejamos honestos – o “marcelismo” ajudou tanto a destruir e a criar caminhos para que a “revolução dos cravos” tivesse o êxito que conhecemos.
Ou, já depois do 25 de Abril, no regime atual, apesar de tantos, à esquerda e à direita, terem sonhado com a IV República (III para quem acha que o “Estado Novo” não foi… nada), entre “Sá Carneiristas”, “soaristas”, “eanistas” ou “cavaquistas”.
E agora… essa mesma esquerda e esse mesmo “centrão”, sem líderes à altura, repete-se, até à exaustão, na necessidade de defender o regime… como se fosse possível… parar um rio imenso (a vontade popular), com um pequeno dique feito de tijolos (os interesses), ligados entre si por uma argamassa inconsistente e sem qualidade (como a grande maioria dos políticos que os servem, através dos partidos que de que se apropriam e “capturam”, com os famosos “sindicatos de voto”, ou pela eleição de líderes menores (goste-se ou não) fariam ou ainda fazem os líderes históricos dos grandes partidos do regime dos últimos 50 anos serem grandes figuras ao pé daqueles.
O problema é mesmo esse… o tempo… que tal como para o resto… passa cada vez mais depressa.
E 50 anos – nos tempos de hoje – é, mesmo, muito tempo.
Não o seria se o regime se tivesse reinventado… mudando a Constituição e as leis básicas do regime para – com novo ímpeto e novo fôlego – ser capaz de oferecer ao povo o que o povo quer.
Ao não o ter feito, ficando refém dos interesses e da mediocridade, o regime acelerou o seu próprio fim.
E “cairão”… mesmo que ainda – durante uns tempos – se agarrem a tudo, até aos tribunais, para calar a verdade.
Um fim de regime que deve ser feito com respeito pelos limites que temos que impor a nós mesmos.
Um sucessão feita com respeito absoluto pelo voto popular, pela democracia, em liberdade, com regras, com respeito pelas minorias e tendo como pedra basilar a defesa e a garantia da dignidade humana.
Sem revoluções… mas sem os outros limites… que os “donos do regime” – em Lisboa ou em Bruxelas – tentam impor.
Para que “possamos mudar de políticos e, também, de políticas”.
E essa mudança – por muito que lhes custe – pode mesmo acontecer… vai começar a acontecer… no próximo dia 18 de Janeiro de 2026!!!

Rui Gomes da Silva
Na sexta-feira passada, 5 de Dezembro, morreu Frank Gehry. Morreu o Arquiteto que, em 2003, Pedro Santana Lopes, então Presidente da Câmara de Lisboa, escolhera para transformar o Parque Mayer, fazendo com que uma zona da capital, “palco” degradado da “revista à portuguesa”, com tanta história para contar, mas tão abandonado nas últimas décadas, passasse a exibir, como imagem maior dessa desejada renovação, uma obra monumental assinada por um dos maiores nomes da arquitetura mundial de todos os tempos!
Conheci então, pessoalmente, Frank Gehry.
Primeiro, em Lisboa, numa reunião de trabalho, seguida de jantar, a convite de Pedro Santana Lopes.
Passadas umas semanas fui a Los Angeles, como representante do Presidente da Câmara – acompanhado pela sua Assessora, a Arquiteta Ana Gonçalves – para negociar o contrato com Frank Gehry.
Uma viagem de três dias a Los Angeles, com saída de Lisboa na manhã de 21 de Outubro, via Frankfurt, chegada a LA à tarde desse mesmo dia, jantar com a equipa da Gehry Partners, dormir, passar o dia 22 em reuniões seguidas, no atelier e com o próprio Frank Gehry, trocar o jantar desse dia por uma visita guiada ao Walt Disney Concert Hall, uma das obras icónicas do próprio, que haveria de ser inaugurada no dia seguinte (com visibilidade mundial), dormir e regressar a Lisboa, na manhã do dia 23, de novo via Frankfurt.
Uma viagem com um significado muito especial, onde ficou acordado todo o enquadramento do que haveriam de ser as conclusões de uma nova reunião de trabalho, entre Pedro Santana Lopes, com a sua equipa, e os arquitectos da Gehry Partners, de novo, a 5 de Novembro, desse mesmo ano, em Lisboa.
Mas voltemos ao meu dia – 22 de Outubro de 2003 – no atelier e com Frank Gehry.
Durante a manhã, com as explicações de Ana Gonçalves e – em algumas partes desse meu contacto com “aquele mundo”, com a companhia de Jim Glymph (o braço direito de Frank Gehry) – fui deambulando por ali, pelo gigantesco atelier de Frank Gehry, instalado um antigo armazém, onde fui deparando com as reproduções – à escala – das suas grandes obras, de uma dimensão tal que nos permitia entrar e andar por dentro dessas mesmas maquetes, ouvindo explicações sobre os materiais, a dimensão, o significado, o momento e a localização de cada projeto.
Ou até – como na reprodução, a uma escala enorme, do Walt Disney Concert Hall, que haveria de ser inaugurado oficialmente no dia seguinte – andar pela plateia dessa maquete, descer até ao palco, ouvindo e experimentando, atentamente, por exemplo, as explicações estéticas e as razões das condições acústicas de tal obra!
Depois, como se não bastasse de emoção, seguiu-se a reunião com Frank Gehry para discutir pontos importantes que era preciso acordar antes do encontro que haveria de acontecer, em Lisboa, já em Novembro.
Fechamos muitos pormenores do futuro contrato, que haveriam de ser confirmados – em ofício de 17 de Novembro – por Jim Glymph, ficando eu com a promessa de os voltar a visitar, agora para entrar na maquete do que Frank Gehry estava a pensar fazer no Parque Mayer!
Um último (enorme) detalhe encerrou as nossas conversas sobre o projecto… o do preço.
Tinha trazido instruções precisas de Pedro Santana Lopes sobre a necessidade de fechar num determinado valor, e fui tentando convencer Frank Gehry das “minhas” limitações.
Fomos descendo desde o valor inicialmente pedido … até um determinado montante, já bem inferior, mas ainda um pouco acima do que me tinha sido determinado.
Foi aí que Frank Gehry se virou para mim e disse… “Viu tudo o que fiz, já conheceu ao detalhe como o faço … acha que Lisboa não merece uma obra destas???… e eu… acha que não mereço o que estou a pedir???”
Merecia, claro que merecia!!!
E, apesar de a noite, em Lisboa, já ter começado há muito, falei ao telefone com Pedro Santana Lopes, para, em poucos minutos, reforçar o elogio da escolha e o pedido para deixar em aberto o valor para ser fechado em Lisboa, nos dias seguintes.
E foi isso que aconteceu, não sem antes de uma noite dormida a correr e uma viagem de muitas horas até Lisboa, termos ido – eu e a Ana Gonçalves – visitar os bastidores do Walt Disney Concert Hall, que seria inaugurado no dia seguinte, tendo como “cicerone” Jim Glymph.
Com a esperança de, tal como acontecera com o Museu Guggenheim, em Bilbau, por exemplo, podermos ter – em Lisboa – uma obra de Frank Gehry, o pós-modernista desconstrutivista, que via a arquitetura como escultura!
Depois… depois foi a velha história de uma esquerda que se recusou a validar uma escolha que mudaria Lisboa…
A mesma esquerda que tudo fez para impedir a construção do túnel do Marquês…
A mesma esquerda que tenta perseguir e impedir de fazer o que promete a quem lhes ganha eleições…
Com a inveja de quem não tem ideias que não seja a de perseguir quem tem uma ideia de desenvolvimento moderna e esclarecida – neste caso – sobre a cidade.
A esquerda de então ganhou uma guerra feita de pequenas vinganças, vetos e recusas.
Lisboa, Portugal… perderam a oportunidade única de ter no seu património uma escultura com a dimensão de um teatro.
Uma oportunidade perdida, sonhada por Pedro Santana Lopes, mas boicotada pela esquerda.
Com nomes e caras… que a memória não deixará apagar, mas que não é este o local para referir. Sempre os mesmos…
Os que acharam que havia túneis bons e túneis maus!
Com isso … perdemos uma futura referência cultural europeia.
A esquerda, essa, congratula-se com estas pequenas vitórias feitas de ódio e de vingança.
Embora – neste caro – tenhamos perdido todos.
Como depois terão percebido!!!
Infelizmente… tarde demais!

Rui Gomes da Silva
Anteontem, 1.º de Dezembro, José Ribeiro e Castro, Presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, afirmava… “Embaraço-me porque votei AD”!
Uma declaração crítica face à indisponibilidade do Primeiro-Ministro em o receber, nessa qualidade, e muito menos em se dignar a estar presente nas comemorações oficiais da restauração da independência!
Uma ausência que tornou mais evidente o desconforto de Luís Montenegro em enfrentar os problemas e as vozes cada vez mais críticas de uma governação que teima em não se perceber que rumo quer levar.
Longe vão os anos de 1981 e 1982, em que tantos criticávamos a forma de exercer o poder, dentro do PSD (então “de” Francisco Pinto Balsemão, Presidente do Partido e Primeiro-Ministro), todo ele estruturado com base no “eixo” Lisboa-Cascais.
Hoje, esse mesmo PSD está refém dos interesses de um outro “eixo”, o de Espinho-Braga, alicerçado numa mesma lógica de grupo, bem mais fechado que o do início da década de 80 do século passado, unido – o de agora – por outras perspectivas que, reconheça-se, não eram as de quem, então, acompanhava o líder, como Marcelo Rebelo de Sousa ou António Capucho.
Uma nova versão de “Corte na Aldeia”, de Francisco Rodrigues Lobo, não já na exaltação da vida do campo e de elogio dos costumes, para além de forma de comunicar, como as que constavam da obrar de 1619, mas – antes – na maneira como escolheram fazer política e designar pessoas para todos os lugares onde possam “meter a mão”.
E se as opções para muitos cargos do Governo demonstram esse privilegiar da fidelidade e da pertença ao núcleo de “amigos” e “compagnons de route”, as novas escolhas ainda evidenciam mais essa preocupação.
Longe de Lisboa, mas com a “corte” transferida (na verdadeira acepção da palavra) para terras de Espinho, o PSD. que este novo “eixo” trata como coisa sua, vai fazendo escolhas que surpreendem a cada momento!
Como nos recentes casos da presidência da Associação Nacional de Municípios ou, até, dos ASD, onde optou pela fidelidade em vez da representatividade!
Quem, ao fim de 6 (no limite, 18) meses de exercício de poder, opta por esse caminho, já não tem margem nem capacidade para renovar nem apontar soluções diferentes e inovadoras para o País.
Limita-se – antes – a gerir e a pagar apoios, a colocar peças que sustentem e amorteçam uma queda mais do que previsível.
Reduz a sua ação apenas à transformação de fiéis “soldados” em “generais de aviário”, cuja única preparação foi e será a disponibilidade para apoiar o líder (e o seu fiel Secretário Geral, que sonha em ser o próximo líder) em tudo o que aí possa vir.
E que não será pouco… dirão os mais avisados… apesar da preocupação em não dar dinheiro ao Tribunal Constitucional para investigar… vá lá saber-se porque é que há tanta preocupação de quem manda em que nada se possa descobrir… apesar de já se saber tanto!
Confesso que não fico embaraçado… porque já não votei AD!
E não votei como tantos… desiludido com uma liderança reducionista na sua origem geográfica, limitada na sua fonte de recrutamento político, sem horizontes abertos na sua visão para Portugal.
Não posso ficar embaraçado de um erro que não cometi… mas compreendo o embaraço de quem o fez e – atrevo-me até – a antecipar a vergonha que sentirão, muito em breve, de o terem feito!
Parafraseando Nuno Melo, que enquanto Ministro da Defesa, representou o Governo nas referidas comemorações do 1.° de Dezembro deste ano … “cuidado, não caiam”!!!

Rui Gomes da Silva
Dizia John Stuart Mill que – e cito – “uma pessoa com uma convicção é uma força social igual à de 99 que tenham apenas interesses!”
Por isso, nos exemplos que vamos tendo, quem defende convicções acaba sempre por vencer os que defendem interesses!
Que foram – quase sempre – os que, a seu tempo, souberam defender ideias e lutar por valores, mas acabaram, com o exercício do poder, enredados e perdidos na defesa dos interesses dos que os sustentam, sem cuidar das necessidades dos que invocam para se perpetuarem no poder.
A História da política, de todas as situações políticas, é essa!
E, tirando os românticos defensores de sociedades utópicas que – sem nenhuma excepção – recorreram à força para garantir o “apoio” do povo, todos os que começam por convicções se perdem nas teias dos interesses, sejam eles pessoais, sejam eles de uma certa parte da sociedade… que os fazem abandonar os caminhos que se propuseram percorrer.
São esses interesses que limitam a liberdade de quem decide, de quem ganha eleições e que (pelo tempo fora) vão contribuindo decisivamente para a queda de regimes, para a substituição de governos (na sua mais ampla expressão), para a sucessão de líderes!
Por isso, em todos os processos históricos de disputa de poder (quando se confrontam as convicções com os interesses), a primeira reação é de subestimar as convicções, com o conforto que os apoios, conseguidos nos interesses, vão dando.
Depois, quando percebem que se trata, não já de alguém fora do “arco de governação”, mas, antes, a de quem pode mesmo vir a ganhar… aí é o desespero!
Dos ataques, da discussão sobre como impedir que lá cheguem as convicções…
E como só mesmo as tais ditaduras de sociedades utópicas traduzidas, na realidade, em tudo o que era contrário ao que defendiam, conseguiram “substituir o povo”… resta-lhes o recurso aos meios mais sórdidos para impedir tais candidaturas!
Contando os tais “agora intolerantes ex-campeões da tolerância”, com a ajuda daqueles a quem devotaram a mais completa indiferença (quer por razões ideológicas, quer pelos tais interesses que ditam outras razões), esses a quem trataram com a arrogância que sempre devotam aos que não acham dignos de convidar para se sentar à sua mesa (que julgam ser a das elites).
Infelizmente para eles, felizmente para nós…
Já agora, e por falar em interesses e convicções, ontem, no 50.° aniversário de um 25 de Novembro tão carregado ideologicamente, assistimos a um grande debate televisivo… entre Luís Marques Mendes e André Ventura… onde a diferença não passou, apenas, entre os que ficaram e saíram da Sala das Sessões por deixar ou não ficar cravos vermelhos onde era pressuposto eles não estarem… como não foi um confronto
entre os que não tendo saído do Plenário, não tiveram coragem para tirar os cravos vermelhos de onde não era suposto estarem e os que queriam que eles lá ficassem… ou entre formas de comunicar!!!
Era, foi e será… entre interesses e convicções!!!
Mas como… “uma pessoa com uma convicção é uma força social igual à de 99 que tenham apenas interesses”…

Rui Gomes da Silva
Em democracia, o mais natural é que os que estão no poder, um dia, passem a ser oposição e quem está na oposição chegue, um dia, ao poder!
Um “chegar” pela mão de eleições, fazendo desse suceder de soluções, o encanto de um regime (voltando a citar Winston Churchill) que é o pior, à excepção de todos os outros.
O problema, para esses “senhores do regime”, nos dias de hoje (e muito especialmente, nesta campanha presidencial) é que, apesar de tanta nota dada pelos jornalistas nos debates a favorecer os candidatos dos “Donos Disto Tudo”, ao arrepio do que todos nós vemos, e de tanta “sondagem” (feitas, sempre, pelos mesmos e sempre desmentidas pelos votos, no dia das eleições)… de tanta sondagem, a favor desses candidatos,… pela primeira vez,… o resultado pode não os satisfazer!
Antes pelo contrário, poderemos mesmo dizê-lo,… já que quem tem mais hipóteses de passar à segunda volta destas eleições pode ser, precisamente, quem representa o que eles não querem.
E o medo do que aí pode vir é tão grande que os faz perder a cabeça e cometer erros que não eram expectáveis.
Dizia, há algumas décadas, Jean François Revel – no caso, em concreto, sobre a esquerda, mas que aqui se aplica que nem uma luva – [eles] até podem perder, a direita é que nunca pode ganhar”.
Neste caso… e adaptando a “citação”… os senhores do regime até podem perder … quem põe os seus interesses em causa é que não pode – nunca – ganhar!!!
Ou seja… os candidatos do regime podem perder… desde que percam entre eles!!!
Porque… quem quer ser alternativa aos interesses e às “negociatas”… esses nunca podem ganhar!!!
Ou seja – repetindo o que vou dizendo, à imagem de outros, desde há muito – o que os tais senhores e donos do (nosso) mundo querem é que até possamos mudar de políticos… desde que não mudemos de políticas!
Embora sejam tão previsíveis (ninguém tem dúvidas sobre quem ganha cada debate, na análise dos comentadores – com uma honrosa excepção – em função do posicionamento de cada candidato em relação aos interesses dos “donos do regime”) será que, desta vez, ainda lhes correrá tudo como querem?
Começo a acreditar que não!!!

Rui Gomes da Silva
As recentes alianças políticas (e consequentes votações nos órgãos autárquicos, saídos das eleições de 12 de Outubro), trouxeram para a luz do dia uma nova estratégia da IL.
Condicionada por uma irrelevância galopante – gerada pela incapacidade de marcar a agenda política, incapacidade bem visível nas sucessivas sondagens sobre intenções de voto a nível nacional – a IL, sem qualquer ideia mobilizadora nos tempos de hoje, descobriu um comportamento que entendeu poder tirá-la desse fundo do poço da política portuguesa.
Ainda assim, poderia não ter ideias, mas manter a coerência e a razoabilidade, na busca da estabilidade e do – sempre esperado e consequente – desenvolvimento!!!
Mas não,… preferiu antes trocar isso pelo elogio fácil dos comentadores da noite dos canais televisivos, que se derretem com tudo o que lhes pareça ser anti-Chega ou anti-Trump.
A estes, tudo o que lhes “cheirar” a linhas… vermelhas… aparentemente condicionadoras da força crescente do Chega, faz o pleno do seu êxtase, mesmo que totalmente inconsequente nos resultados.
Sem peso político eleitoral para “quase nada”, a IL manda e condiciona o PSD, a seu bel-prazer!
Como em Sintra, onde a sua direção nacional validou o acordo com o Chega, mas a IL se quis meter em “bicos de pés”…
Ou em Lisboa, na Assembleia Municipal, onde a sua posição anti Chega levou o PSD a ceder… e a “oferecer” a respetiva presidência ao PS.
Linhas vermelhas de uma IL contra o Chega (que pena – dirão entre si – não serem só os comentadores a votar em cada eleição) que não foram traçadas quando o PSD aceitou fazer um acordo, em Beja,… sim quem diria que o PSD, o Partido de Francisco Sá Carneiro, o poderia fazer… com a CDU!!!
Uma IL – partido do quase nada, capaz de dar tudo ao PS – contra o Chega, mas incapaz de criticar um acordo com a CDU… não é um partido com ideologia… mas antes um partido oportunista.
A escolha… entre ser uma força construtiva ou uma força de bloqueio… está feita pela IL.
Mas – ainda assim – a avaliação dessas estratégias,… a força de cada um dos partidos (traduzida em votos a nível nacional, sem disfarces de círculos eleitorais, nas próximas eleições presidenciais) está para breve.
Nesse dia – lamentando o facto de partidos com dimensão nacional se deixarem “agrilhoar” por partidos de nichos residuais, em termos políticos – voltaremos a confirmar que, nos tempos que correm, os combates da IL não compensam eleitoralmente (por muito que isso custe aos próprios e aos tais comentadores)!

Rui Gomes da Silva
Depois de um processo de decisão, com o tempo mínimo necessário (mas no estrito cumprimento dos respectivos Estatutos), vi ontem confirmada a minha eleição para Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa (CCIAP).
Com a alegria e confiança dos que – por amizade, por razões objectivas ou por estratégia –assim o entenderam… mas, também, e como sempre,… com a inveja e o desespero dos que ou nunca conseguiram nada ou que, tendo conseguido tanta coisa, se preocupam demais com o êxito dos outros!
A uns e a outros, muito especialmente aos que confiaram – de uma maneira ou de outra, mesmo que pelo silêncio – a promessa de empenho e de responsabilidade, num compromisso de que tenho de sair vitorioso!
Um projecto assumido para iniciar de um novo ciclo, porque as lideranças, por muito parecidas que sejam, por muito de continuidade que se assumam ser, têm sempre um cunho pessoal!
Também eu não irei fugir a essa realidade, não deixarei de querer que essa realidade seja feita de continuidade, mas também de novos compromissos, de novos caminhos!
Um percurso começado há pouco mais de dois anos, com o desafio que então me foi lançado por Luís Filipe Menezes, agora de novo “chamado” para voltar a ocupar a presidência da Câmara Municipal de Gaia.
Um desafio feito por amizade (por uma grande amizade), com um pedido de empenho e disponibilidade para este projecto, empenho e disponibilidade que agora renovo!
Um novo ciclo que vai contar com a energia do… novo… Secretário Geral da CCIAP, Hayder Al-Kodhairi, chegado a esse cargo há menos de um ano!
Sem deixarmos de ter memória, e recordarmos o Eng. Karim Bouabdellah – pese embora todos os desentendimentos na fase final da sua vida, que assumimos – e o Eng. Ângelo Correia, presidente por muitos anos da CCIAP, com um legado ímpar na procura de um relacionamento de excelência junto das entidades económicas desses 22 países!
Estes serão “tempos” tão exigentes quão desafiantes, por ser quase tudo novo e quase tudo de uma incerteza quase absoluta!
Teremos de saber responder a cada necessidade de cada País Árabe, interessado no intercâmbio com empresas portuguesas.
Como saberemos procurar resposta a cada desígnio de empresários e empresas portuguesas no mundo Árabe, contando com a experiência e a disponibilidade dos Senhores Embaixadores desses Países em Portugal.
Uma ajuda que contará com o empenho de todos os meus Colegas da Comissão Executiva – onde me permito destacar Miguel Frasquilho, que aceitou continuar, agora como 1.º Vice Presidente português – para além dos 54 membros actuais do Conselho de Administração (numa participação paritária entre Portugueses e Árabes), que continuam em funções e cuja experiência será de uma mais-valia extraordinária para todos nós.
Por tudo isso, continuaremos a sonhar e a querer concretizar esse sonho, feito de trabalho real!
Para conseguirmos aliar as necessidades de uns aos desejos de outros, a grandeza económica desses países, com a disponibilidade de tantas empresas e tantos empresários portugueses!
Encontraremos os parceiros ideias para cada caso, identificaremos necessidades precisas, saberemos procurar as empresas mais adequadas, os parceiros mais credíveis, descobrir os regimes mais favoráveis, disponibilizar as informações mais precisas…
Mas também seremos obrigados a sermos capazes de identificar o que procura cada empresa, para sermos úteis em cada momento!
Por nós… continuaremos a perseguir e a prosseguir o interesse das empresas e os empresários portugueses no mundo árabe!
Sem grandiloquência, mas totalmente comprometidos com os nossos objectivos, nesta … NOVA VIDA DA CÂMARA DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA ÁRABE-PORTUGUESA.

Rui Gomes da Silva
Luís Marques Mendes — com quem mantenho uma relação pessoal de respeito — afirmou, já esta semana, que André Ventura (e cito) “não pode ser Presidente da República nem vai ser”, acusando-o, para além disso, de “dividir os portugueses” e “minar a democracia”!
E fá-lo porque encontra respaldo e se assume como o porta-voz de uma parte (cada vez menor) da sociedade portuguesa — políticos e jornalistas ou jornalistas e políticos de esquerda ou do “politicamente correto” — que se acham os “donos disto tudo”, os novos DDT do regime… com direito de veto sobre quem deve ganhar eleições e governar (ou representar, neste caso) os portugueses!
Não todos, é verdade, como afirmou André Ventura, para grande escândalo deles que só aceitam essas afirmações se forem ditas “da boca para fora”, pelos políticos de esquerda ou pelos seus “parceiros úteis” do centro e do centro-direita “fofinha”… que estes adoram ser e os aqueles adoram ter à mão, para “todo o serviço”!!!
Há uma, cada vez mais pequena (que se julga mas não é, nunca foi nem nunca será) “elite”, que se acha dona da democracia e do regime!
São os mesmos que, nos meus tempos de PSD (e foram 48 anos) que, sempre que eu ganhava… invocavam uma imperiosa necessidade de união em torna de defesa dos ideais do partido, para não serem desalojados dos lugares que ocupavam e, quando eram eles a ganhar, se apressavam a correr os que perdiam, em nome da legitimidade retirada dos resultados eleitorais.
Não me peçam exemplos… nem de “atores” nem de “redatores” que apoiavam uma e outra coisa, sempre na defesa dos seus próprios interesses ou dos que lhes pagavam assessorias… fossem quais fossem as justificações dessas faturas.
Todos os dias nos vamos deparando com esta tolerância num só sentido, em que esses “democratas” só o são enquanto os seus interesses e os seus lugares (que achavam serem-lhes eternamente destinados) não estiverem em perigo!
Um risco que julgavam afastado para sempre, por pertencerem ao tal “centrão”, onde uns protegiam os outros.
Agora — com receio do que aí possa vir — transformaram-se em intolerantes.
E, com isso, descobrimos que apenas o eram (democratas e tolerantes) por não ter sido preciso defender a democracia e o respeito pela liberdade.
Podem não concordar, podem (até) invocar processos passados ou insultar quem, no dia a dia dos argumentos e em pleno respeito pela vontade dos portugueses, os combates em nome de valores e por uma ideia diferente.
Podem ter como aliados os que controlam a opinião publicada… mas não será por isso que poderão dizer tudo e reclamar razão em tudo o que dizem.
Pela democracia, pelo respeito pela liberdade e na defesa do direito a estar disponível para o combate político por ideais, contra os interesses,… esse é o caminho que vale a pena seguir!
Felizmente… as eleições decidem-se a contar votos e não com os computadores de alguns… onde os “votos” davam os resultados pedidos.
Antes (mesmo sem computadores) como depois do 25 Abril, na política como no resto… vai continuar a valer a pena acreditar na democracia!!!
Mesmo contra … A INTOLERÂNCIA DOS (EX) “TOLERANTES”!!!