
Rui Gomes da Silva
Quando, a 9 de fevereiro de 1980, o Governo de Francisco Sá Carneiro decidiu valorizar o escudo, ao arrepio do processo de desvalorização deslizante a que Portugal se tinha comprometido, muitas foram as vozes discordantes, não percebendo o caminho que estava a ser seguido… embora estivesse em causa Portugal.
Foram, depois, “essas mesmas vozes” que vieram criticar as sucessivas decisões dos governos de Aníbal Cavaco Silva, no sentido do alargamento da proteção social a todos os trabalhadores, mesmo para aqueles que não tinham tido, até ali, qualquer história contributiva para a Segurança Social, embora estivessem em causa muitos portugueses.
Tal como então, também hoje se ouvem vozes de quem não acredita… de quem não tem, em si, a ambição suficiente para pensar e acreditar ser possível – tal como André Ventura anunciou – diminuir a idade da reforma em Portugal.
Um anúncio, um desígnio programático feito por quem já estudou minimamente o assunto (sem ser preciso recorrer ao velho ‘chavão’ de dizer que basta desviar para esses fins tantos e tantos subsídios concedidos indevidamente).
Um objetivo anunciado com uma coragem e uma disponibilidade total para lutar por essa diminuição da idade da reforma… mas também por uma verdadeira diminuição da carga fiscal, quer dos cidadãos, quer das empresas… por um empenhado projeto de diminuição de custos dos bens da primeira necessidade, da diminuição dos custos da habitação… ou do aumento, mesmo que progressivo, dos períodos de férias dos trabalhadores!
Só um projeto assim – sustentado, desde logo, num aumento significativo da produtividade – será capaz de mobilizar os portugueses, muito especialmente os mais jovens, que não podem ser testemunhas de um novo falhanço geracional, como aconteceu aos seus pais ou aos seus avós, sucessivamente, desde o 25 de Abril de 1974.
Só um projeto com estas características será suficientemente mobilizador para atrair aqueles que trabalham uma vida inteira na esperança em ter uma reforma condigna com o seu esforço…
Só um program assim será capaz de cativar os jovens que hoje vivem com um ordenado mínimo sem qualquer esperança de o poderem modificar em condições de absoluta normalidade…
Só uma ideia de futuro como esta poderá conter em si a esperança de uma vida substancialmente melhor, que não os obrigue a gastar 80% ou 90 % do seu rendimento numa habitação sem uma correspondência mínima com as suas necessidades…
Só concretizando todas estas ideias, poderemos crescer como Nação, dando todas as hipóteses aos jovens que quiserem ter filhos para combater o envelhecimento populacional do País europeu com as fronteiras estabilizadas desde há mais tempo.
A esses, que se apressam a engrossar as fileiras da esquerda a criticar o sonho de um Portugal diferente – e a quem não ouvimos, então, uma crítica sequer sobre os efeitos orçamentais da introdução do RSI, por António Guterres, ou das consequências na criminalidade (ou, se quiserem, apenas, no ambiente de crispação permanente), no SNS ou na habitação, com a abertura descontrolada de fronteiras, de António Costa – a esses, que não são suficientemente ambiciosos para acreditar num País bem melhor, que não julgam ser possível nem valer a pena combater por esse sonho, vamos lá provar que o podemos conseguir!
E que, desta vez, como Povo, sem os bloqueios do Sistema, o vamos conseguir!

Rui Gomes da Silva
António José Seguro, nas suas nomeações para o Conselho de Estado, parece ter cometido algumas injustiças, ao não indicar os seus ‘três mosqueteiros’… aqueles que, em nome do ‘um por todos e todos por um’, acreditaram no sucesso da sua candidatura e consequente eleição, a qual parecia ser, no princípio, não uma miragem longínqua, mas antes uma absoluta impossibilidade!
Eis senão quando, poucos dias após esse suposto descuido, uma dessas injustiças foi corrigida com a nomeação de Adalberto Campos Fernandes para o cargo de coordenador do Pacto Estratégico para a Saúde!
Uma opção com um enorme significado político, a ‘arrumar’, logo na primeira jogada, a ‘direita fofinha’ que correu a apoiar Seguro contra Ventura, na segunda volta das presidenciais… e ainda só passou um dos 120 meses dos supostos dois habituais mandatos!
António José Seguro foi coerente e direto, sem que alguém se pudesse queixar da sua atitude.
Anunciou-a na campanha e concretizou-a na primeira oportunidade, alertando para a irresponsabilidade com que vem sendo gerida a saúde pelo Governo da Luís Montenegro.
Sabemos que a distância que medeia entre o Plano de Emergência para a Saúde (da responsabilidade do PSD) e este Pacto Estratégico para a Saúde (da Presidência… leia-se PS) será muito pouca e servirá apenas para continuar a esgrimir a ocupação de espaços, ‘sem progressão no terreno’… até porque não será para isso que as forças estão posicionadas (para utilizar uma linguagem militar, hoje tão em voga em todos os órgãos de comunicação social).
Como conciliar divergências, que não existem… como divergir quando os interesses obrigam a convergir ???
Como se dividirão nas reuniões das manhãs dos sábados todos estes ‘membros da Saúde… quem indicará a quem quais os caminhos a seguir neste mundo em que – cada vez mais – ‘se pode mudar de políticos… mas nunca se pode mudar de políticas’???
Em abono da verdade, o Governo de Luís Montenegro conta agora com dois ministros sombra da Saúde: o prof. Horácio Costa, no Governo Sombra do Chega, e o ex-ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, em Belém… no Governo Sombra do… Senhor Presidente da República!!!
Tudo em nome da defesa do SNS, o que, no caso presente, significará, tudo contra as opções políticas do Governo da AD.
Um verdadeiro problema para a maioria resolver…
O que parece não lhes chegar, já que… não contentes com isso… conseguiram meter-se por outro caminho – bem mais estreito e de bem mais difícil solução, porque diretamente relacionado com situações relativas ao primeiro-ministro, a ministros e a figuras relevantes da maioria parlamentar: a da transparência e a das declarações de rendimentos!
Estão mesmo a pedi-las (a caminho de mais uma dissolução… mas disso falaremos para a semana)!!!

Rui Gomes da Silva
Escrevia Friedrich Hayek (‘O Caminho da Servidão’, 1944) que “os piores chegam ao topo quando se concentra grande poder nas mãos do Estado”!
Vem isto a propósito da declaração do secretário-geral e líder parlamentar do PSD, que, do nada, sem qualquer justificação aparente, atacou todos aqueles que deixaram o PSD e rumaram ao Chega!!!
E fê-lo em Cabo Verde, numa declaração que só vem confirmar a opinião que quase todos os portugueses (quase todos, mesmo…) têm da sua capacidade, da sua elevação, da sua preparação para o cargo que ocupa.
Mas, sendo esse um problema de quem o escolhe e de quem o plebiscita, gostava de esclarecer – não o próprio, mas quem possa ter ficado com dúvidas – que (como, há uns dias, ‘dizia’ ao 24Horas) não é uma questão de ter ou não ter espaço…
Trata-se – apenas e tão só – de nunca ter querido ter lugar neste PSD!
Não – de facto – nunca quis nem fiz nada para ter lugar neste PSD de Luís Montenegro e de Hugo Soares, que… escolhe protagonistas de ‘casos de malas’ para cargos de Estado… que, com ‘sindicatos de voto’, controla o aparelho partidário e, em consequência, hoje, o próprio Estado… que restringe a direção do partido a um grupo de amigos fiéis e circunscrito a uma estreita faixa geográfica… que se recusa a tornar públicos os seus clientes particulares… numa infindável lista que envergonha qualquer um!!!
E se demorei a sair do PSD (e só o fiz a 13 de junho de 2025), foi apenas por não querer acreditar em todos os que o tinham feito antes e que me perguntavam se eram aqueles em quem eu me revia…
Resisti para além do que pensava ser o meu limite.
Mas conclui que neste PSD da mediocridade e da banalidade, que se preocupa, apenas e tão só, com a gestão do dia a dia, sem qualquer ambição reformista, que apenas visa o estar em vez de fazer, o negócio em vez do sonho, os interesses de cada um dos membros desse grupo de amigos que passou a ocupar o poder na Rua de S. Caetano em vez de lutar pela melhoraria da vida dos portugueses… não, obrigado… não tenho, porque não quero ter lugar!
Um dia, muito em breve, os que ainda lá ficaram perceberão o mal que estes ‘senhores’ (irreversivelmente) estão a fazer ao PSD!!!
Mas, felizmente para mim, esse já não será um problema meu.
E – já agora – porque (para além de todas essas razões) acredito que o sonho que me fez ‘entrar’ na política, o exemplo e os valores de Francisco Sá Carneiro são hoje representados pelo projeto e pela liderança de André Ventura!!!

Rui Gomes da Silva
Na entrevista que deu ao Expresso, no passado fim de semana, o secretário-geral do PSD declarou (do alto de toda a sua ‘autoridade’) que… “O Chega nunca vai ultrapassar o PSD”!
Trata-se de uma declaração aparentemente cheio de força, mas que mostra uma insegurança total. Se o perigo de o Chega ter mais votos (ou mais mandatos) nas próximas eleições não existisse, esta declaração nunca teria sido feita! Por ela ser uma ameaça real – e por o PSD de hoje a julgar muito possível (eu diria inevitável) – é que é assim ‘desmentida’. Com o intuito de (possivelmente) ‘exorcizar’ o medo que vai pela Rua de S. Caetano à Lapa.
Nunca – na História destes 50 anos de democracia – o PSD teve, ou sequer verbalizou, essa hipótese, por uma única razão: ela nunca existiu, ao contrário do que hoje acontece.
Como presidentes do PSD, Francisco Sá Carneiro (em 1975 ou em 1976), Carlos Alberto da Mota Pinto (em 1983), Aníbal Cavaco Silva (em 1985 e, por maioria de razão – e de votos – em 1987 e 1991), Fernando Nogueira (em 1995), José Manuel Durão Barroso (em 1999 e em 2002), Pedro Santana Lopes (em 2005), Manuela Ferreira Leite (em 2009), Pedro Passos Coelho (em 2011), Rui Rio (em 2019 e em 2022), nunca sentiram necessidade de dizer que o partido à direita do PSD não o iria ultrapassar! Como nunca o disseram, mesmo sem ir a eleições, Francisco Pinto Balsemão, Rui Machete, Marcelo Rebelo de Sousa, Luís Marques Mendes ou Luís Filipe Menezes, enquanto desempenharam essas mesmas funções!
Só que tudo isso mudou! Se à capacidade política, intelectual e emocional de André Ventura adicionarmos os erros cometidos e o que imaginamos estar para vir (todos os dias somos surpreendidos por notícias com ‘muito caminho para andar’), só poderemos concluir que este PSD de Luís Montenegro e de Hugo Soares – que ‘fez’ com que o partido à sua direita tenha tido 50 e, agora, 60 deputados – vai ser ultrapassado pelo Chega.
E se é verdade que “… a nossa mente atrai o que tememos”, então temos o quadro completo das causas dos próximos resultados eleitorais! Uma declaração tão peremptória encerra, em si mesma, todo o seu contrário, como premonição!
O Chega vai (mesmo e muito em breve) ultrapassar o PSD!!!

Rui Gomes da Silva
A Constituição Portuguesa de 1976 sempre foi ‘um rio que separou os homens’ no regime saído da Revolução de 1974.
Um imenso rio que separou uma esquerda feliz e contente com a cristalização de uma revolução que era feita através desse texto constitucional, numa visão imobilista face a cada desafio surgido, perante uma direita (um bloco do centro direita para não chocar os mais puristas), que sempre se bateu contra o texto proto-marxista e revolucionário de uma lei fundamental, depois corrigida pelas revisões de 1982 e 1989.
Em 1982, ao acabar-se com um Conselho da Revolução, que manteve, até então, os militares no centro do poder político (quer no controlo do texto constitucional, quer como órgão de consulta do Presidente da Republica, depois substituído pelo Tribunal Constitucional e pelo Conselho de Estado), e, em 1988, ao dar uma ‘machadada’ num sistema de economia centralizada, onde, até então, não podiam existir Bancos, Seguradoras ou Televisões que não fossem propriedade do Estado.
Era este o Portugal que o Partido Comunista queria manter, mas era este – também – o País que muitos socialistas defendiam dever continuar a existir!
Em honra a esse permanente imobilismo, são estes (ou os seus filhos e netos) os que não aceitam, hoje, renovar o texto constitucional!
E se, para esses, existem razões históricas que os não deixam perceber para onde ‘sopram os ventos do futuro’, aos da direita (ou do centro direita como gostam de se chamar a si próprios) estranha-se esse imobilismo inconsequente.
Ou melhor, talvez se compreenda… porque não sabem o que fazer de ideias novas, têm medo de reformas, odeiam tudo o que lhes perturbe o gozo que dá ocupar um lugar no Governo que não seja o de fruir o momento!
Não perceberam que, os de quem eles invocam serem herdeiros (embora nunca o sejam… tal a diferença de dimensão política que os separa), conquistaram maiorias absolutas começando por querer mudar a Constituição.
Foi assim com Francisco Sá Carneiro, em 1979 e 1980!
Foi assim com Aníbal Cavaco Silva, em 1985 e 1987!
Será assim com André Ventura em 2026… até à obtenção de uma maioria absoluta, como as de Sá Carneiro ou de Cavaco Silva!!!
Porque André Ventura é hoje o único a perceber que um projeto político consequente e abrangente tem de incluir uma proposta de revisão que adapte o texto da Constituição aos novos tempos que vivemos.
André Ventura percebeu ser esse o caminho… um caminho coerente, ambicioso, consequente e corajoso… para dar um novo Portugal a todos os Portugueses!!!
A esquerda não o quer, por razões ideológicas!
O centro – ‘fofinho’ e que se contenta em ocupar os cargos do pelo prazer de lá estar – acha que isso só perturba a fruição desse estatuto, odiando quem lhe quer dar trabalho com reformas!
Resta André Ventura, que, tendo percebido que este é o caminho, não tem medo de o percorrer, disposto a enfrentar os sucessores dos que também combateram Francisco Sá Carneiro e Aníbal Cavaco Silva… com os mesmos argumentos, até mesmo o de lhes terem chamado “fascistas”!
E se a História se repete, os vencedores estão sempre do lado certo, do lado dos que merecem vencer, pelas suas convicções, pela sua frontalidade, pelo seu compromisso com o futuro… neste caso… de Portugal.
E – tal como os outros líderes do passado – do lado de quem tem carisma e é capaz de nos emocionar!
Um futuro que – em Portugal, em 2026 – passa pela revisão constitucional… como tão bem percebeu André Ventura!

Rui Gomes da Silva
Aníbal Cavaco Silva não valerá – hoje, em termos eleitorais – mais que os 11,3 % do que o ‘seu’ candidato obteve na primeira volta das últimas eleições presidenciais!
Seu e de Montenegro, que, com essa escolha, deram mais um empurrão para uma futura irrelevância do PSD.
Mas esse erro – como todos os que envolveram as suas apostas anteriores, sempre que se empenhou no apoio a lideranças do PSD, como com Manuela Ferreira Leite (em 2008 e 2009) ou com Rui Rio (especialmente em 2016) e, agora, numa confirmação de que ‘não há duas sem três’, com Luís Montenegro – não o impede de vir dar lições de qual o caminho a seguir!
E a essa lição, de qual o caminho a seguir, junta a crítica feroz ao Chega, com todo o ‘ódio’ que acumulou a André Ventura.
Desconsideração – como sempre – a quem não se verga ao que quer, quem não o considera intocável, nem vê nele uma referência para todo o sempre.
E fá-lo com a desculpa da defesa do interesse nacional… logo ele que nunca se preocupou com nada… a não ser consigo mesmo.
Foi assim contra Francisco Pinto Balsemão (de 1981 a 1982), na indiferença em relação a Mota Pinto (de 1983 a 1985), contra quem dele discordou, na sua liderança (entre 1985 e 1995), no abandono a Diogo Freitas do Amaral (em 1986), contra quem ele achou que o poderia impedir de chegar a Presidente da República, como com Pedro Santana Lopes (em 2004 e 2005), contra que ele nunca suportou no PSD, como Luís Filipe Menezes (em 2007 e 2008) ou contra Pedro Passos Coelho, que nunca suportou, desde que foi líder da JSD, mas especialmente como líder do PSD e primeiro-ministro (entre 2011 e 2015).
Vem agora Cavaco Silva, em artigo publicado na semana passada, do alto do seu pedestal, dar conselhos sobre credibilidade política e sobre a necessidade de reformas para travar o Chega. O Chega, de André Ventura, que não lhe deve nada e que não lhe rende a homenagem de que sempre se julgou credor.
E não o faz porque não precisou nem vai precisar dele para nada. Antes pelo contrário. André Ventura e o Chega vão ganhar eleições sem o apoio de Cavaco e (repetindo o velho lugar –comum), se necessário, contra Cavaco!
O que verdadeiramente preocupa Cavaco é o cada vez maior apoio popular e eleitoral do Chega e de André Ventura! Porque, se fosse verdade que o Chega demonstrava uma impreparação técnica evidente ao falar dos problemas do País, Cavaco não se preocuparia com o Chega.
O que os portugueses passaram a perguntar – e, com isso, a desconsiderar as opiniões do ex-PM e ex-PR – é porque é que Cavaco Silva não teve essa mesma coragem para afrontar José Sócrates, que fez dele ‘gato sapato’, e com quem conviveu de 2006 até 2011, ou para discordar de António Costa, quando este lhe apresentou a ‘geringonça’, em 2015, e até ter saído de Belém, em 2016?
Nas entrelinhas do seu artigo, percebe-se o desconforto de Cavaco Silva com a atual situação do PSD e o medo que demonstra em ter apoiado quem apoiou e vir a ficar ‘mal na fotografia’, também ele culpado pelo mal que vão acabar por fazer ao PSD, e, bem mais importante do que isso, a todo o bloco de direita em Portugal.
Porque, apesar de termos deixado o Luís trabalhar, concluímos todos que, afinal, ele não quer nada com o trabalho (não o próprio, que nisso sempre foi exímio, mas o de executar as reformas que deveria para bem de Portugal)!
E se Passos Coelho deu expressão pública e notória a essa incapacidade, Cavaco veio enfatizá-la, pese embora essa sua indisposição permanente com quem não lhe presta vassalagem! O atual chefe do governo não tem capacidade para fazer o que devia e Aníbal Cavaco Silva, como seu mentor, desespera! Essa deve ser a leitura que teremos que fazer do artigo em questão
E como se não bastasse esse seu desespero com o Chega, eis que Jorge Miranda vem dar pública interpretação ao que circula por esse grupo… Ao afirmar que “o Chega não tem direito a estar no Tribunal Constitucional”, Jorge Miranda verbalizou o que pensa essa casta de ‘donos do regime’, esses ‘ayatollahs’ da Constituição”, esses guardiões da legitimidade republicana!!!
Ou seja, os mesmo que, após o 25 de Novembro de 1975, se apressaram a levantar a voz contra a ilegalização do Partido Comunista, em homenagem ao princípio máximo da liberdade e do respeito pelas ideias de todos, são os que agora defendem a exclusão do Chega da vida democrática (quando não, mesmo, a sua erradicação)!
O Chega existe sem ter de lhes pedir autorização… a eles e aos que – na comunicação social – se disfarçam de analistas para inclinar a realidade contra André Ventura. Cavaco não é o dono do regime, por muito que isso lhe custe, e a censura e a possibilidade de poucos determinarem o que todos podem dizer acabou a 24 de Abril de 1974.
E até o quem pode invocar e fazer de Francisco Sá Carneiro o seu modelo e a sua inspiração, não é ‘propriedade intelectual’ de ninguém!
Cá estaremos todos para ver essa realidade a acontecer – com o Chega a ganhar eleições e a ser governo em Portugal, por muito que isso custe aos “marajás” do regime!!!

Rui Gomes da Silva
Reconheço que não teremos todos os dados reunidos… Mas – da experiência retirada de momentos vividos, da perceção e do conhecimento de cada um dos ‘atores políticos’ em presença nestes duelos, após as eleições presidenciais – tudo nos começa a levar no caminho de eleições legislativas antecipadas!
Sim, é verdade que a declaração proferida, na tomada de posse, pelo novo Presidente da República, de que o objetivo seria o de só haver eleições gerais em Outubro de 2029 (logo repetida, sublinhada e aplaudida pelos diferentes partidos políticos), poderia fazer supor o contrário. Mas não, não, não será desta – do que vamos vendo – que Portugal vai voltar a um novo ciclo de estabilidade política.
Ora, apesar dessa declaração do Presidente da República, alertando, até, para o facto de uma não aprovação do Orçamento não obrigar a eleições antecipadas, a verdade é que isso não levou a uma grande certeza sobre o cumprimento da legislatura. Antes pelo contrário!
Essa ‘liberdade’ acrescida, anunciada por António José Seguro, no Parlamento, para que, sem ‘calculismos’ eleitorais, os partidos pudessem deixar de se preocupar com uma nova ida às urnas, ao ‘virar da esquina’, fez com que os seus líderes, sem essa limitação, ficassem como sem saber o que fazer!
O PS, sem ter de dar a ideia de responsabilidade, perde-se com propostas irrelevantes ou em chantagens parlamentares, invocando princípios que, apenas há poucos anos, não respeitou.
A AD, porque tinha – também ela – a sua chantagem, com a necessidade de aprovar o Orçamento, num folhetim com um guião que lhe dava para nisso centrar e disso alimentar a discussão até novembro (como aconteceu em 24 e em 25), sem qualquer necessidade de lançar outros temas para a agenda política.
Este ano, sem essa ‘amarração política’ que dramatizasse o voto do PS e do Chega em relação ao Orçamento, a AD perdeu-se…
Como perdida anda, desde então… e perdida vai continuar, porque, sem essa obrigatoriedade de, pelo menos um dos outros dois partidos ‘ter’ de votar o OE para não haver eleições, deixou de liderar a agenda política.
E se o Governo tinha dificuldades em fazê-lo (veja-se, a título de exemplo, o primeiro debate parlamentar, depois de um longo hiato, por causa das eleições presidenciais, onde o PM chegou sem uma única medida para anunciar… quando devia retomar, nesse momento, a iniciativa política que havia perdido por sucessivos erros políticos, nessa mesma corrida eleitoral), agora, sem essa ameaça, ficou exposta a vulnerabilidade reformista do Executivo.
O Governo, sem essa ‘arma’ da ‘obrigatoriedade’ de aprovação do Orçamento, ficou sem a ‘bengala’ a que se agarrava, sempre que necessitava de dramatizar a vida política, face a uma qualquer dificuldade.
E, sem isso, perdeu o ‘norte político’, sem argumentos para continuar a invocar o “deixem o Luís trabalhar”!
Ficou claro, agora, que o Luís só não trabalha porque não sabe o que fazer!
Como também ficou bem visível a falta de um projeto político do PSD… que não seja o de continuar no Governo, no dia seguinte, porque sim!!!
E sem essa ideia da necessidade (da AD) de combater um inimigo externo e (do PS) de armar em ‘Conselheiro Acácio e coçar a cabeça’, a fazer de conta que está preocupado com a gravidade da situação, todos os dias, resta o Chega… com uma agenda e um projeto para ir ao encontro do que querem cada vez mais portugueses.
Se, àquela falta de projeto e a essa não obrigatoriedade de aprovação do Orçamento, juntarmos os ‘casos’ que se anunciam por aí… uns em reedição, em versões corrigidas e aumentadas… outros em estreias absolutas (sabem do ou dos que falo), então, teremos um novo ‘pântano’ e, com isso… novas eleições.
Porque a estabilidade não deve, não pode, nunca ser um fim em si mesmo, mas, antes um meio para governar bem.
Quando, quem governa, está mais preocupado com os seus casos e não tem ideias… será inevitável que António José Seguro, daqui a uns meses, após o chumbo do Orçamento… venha dizer… “eu bem não queria, mas não me deram outra saída”!!!

Rui Gomes da Silva
Se – numa frase sempre repetida e usada, entre outros, por Agustina Bessa Luís – “longos dias têm cem anos”, parece que os primeiros tempos do novo Presidente da República em Belém, apesar da tentativa do mesmo para serenar os ânimos, não vão muito de feição para os que, no seu partido de origem, sempre invocaram a “moral republicana” para tentar estabelecer uma diferença que (sempre o soubemos) nunca existiu para qualquer outra força política.
Antes pelo contrário!
Já não bastavam os exemplos de um ex-primeiro-ministro do PS, que tenta – tudo e por tudo – para não ser julgado… “vá lá saber-se porquê”…
Não bastam , agora, os “casos e casinhos” por esse País fora – com que, por exemplo, ainda ontem, fomos surpreendidos – a atrapalhar o discurso de “mãos limpas” que Belém poderia querer renovar…
Não bastaria o novo “caso” da pensão de reforma – digna de um verdadeiro “marajá” – do ex Governador do Banco de Portugal, ex Ministro do PS, e possível candidato a Belém e, com esta pensão, um nunca mais candidato a nada.
Vem agora Ferro Rodrigues, ex-MES (deviam, os mais novos, ir saber o que foi, para não se equivocarem sobre o que os seus membros nunca terão deixado de pensar), ex-ministro do PS, ex-líder do PS, ex-presidente da Assembleia da República… afirmar – com a “elevação” que, sempre lhe reconhecemos – e cito… “Não pode haver gente do Chega no Tribunal Constitucional…”!!!
Ou seja, os democratas sem limites tem os limites que acharem bem para não serem afastados dos cargos, mesmo que isso não coincida com a vontade popular!
Os tolerantes de ontem são, hoje, os reis da intolerância, face a quem fica à frente deles, em termos eleitorais!
E – com isso – a recusa, frontal ou velada, de aceitarem reduzir-se à sua dimensão atual.
Ora, só com base nessa “moral republicana” (tão grata a Manuel Alegre)… “moral republicana” na sua nova versão “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”!
Comportamentos de “democratas” nas palavras, mas sem respeito pelo voto, quando o povo caminha no sentido do que não gostam ou ao que se opõem.
Só essa falta de sentido democrático poderá explicar a declaração de Ferro Rodrigues!
Só essa falta de sentido democrático poderá explicar a (anunciada) recusa de José Luís Carneiro em ir atrás de André Ventura numa qualquer lista da AR para os órgãos externos… apesar de os votos das últimas eleições assim o terem ditado.
Só essa “moral republicana” poderá impedir o Presidente da República de dizer (hoje e amanhã), aos líderes de todos partidos políticos com assento no Parlamento, quando os receber, pela primeira vez, em Belém, a coisa mais evidente: que tenham juízo e que a regra a aplicar, nas tais eleições, deverá ser a do método de hondt, de cada representação partidária, na organização das diferentes listas.
A não ser que o método de hondt já não seja o que era… para essa “moral republicana”… quando os seus autores não são os primeiros!
Ou será que a tal “moral republicana” terá voltado a atacar???

Rui Gomes da Silva
Bem-vindos à era Seguro!!!
A qual, ao contrário do que poderíamos pensar (muito especialmente os que, nos partidos do Governo, lídimos representantes da “direita fofinha”, foram a correr apoiá-lo), não vai ser fácil para Montenegro e os que o acompanham na tarefe da governação.
E se, em política, “o que parece é” (convém nunca o esquecer)… então, António José Seguro já deu um primeiro sinal ao que vem!
Nem uma palavra de elogio para o Governo, mas muitos avisos, muitos recados, todos eles “deixados” em locais escolhidos para o efeito.
O último dos quais no Porto, em “casa” de Pedro Duarte, até há pouco ministro do núcleo duro do atual Governo, a introduzir na agenda política uma nova dor de cabeça para o PM, ali mesmo com o beneplácito do novo PR.
Deixemos tudo isso para os próximos tempos… e concentremo-nos num dos pontos do discurso inaugural: o anúncio de que o “chumbo” do Orçamento de Estado não levará a novas eleições.
E com esta declaração tão simples… António José Seguro deu cabo do recurso de que Luís Montenegro se vem servindo, desde que, pela primeira vez, tomou posse como PM.
Com essa afirmação, o Presidente deu cabo do “folhetim” (tipo ‘Sítio do Picapau Amarelo’) com que este Governo da AD tem vindo a alimentar os tempos de comentário e análise política: a aprovação do OE.
De facto, desde que iniciou funções, todos os anos, de março a novembro, os seus membros desdobram-se em declarações sobre a “obrigatoriedade” dos partidos da oposição – Chega e PS – terem de viabilizar o Orçamento, para o País não ir outra vez para eleições (mesmo que o PM não se tenha importado de nos ter obrigado a “ir às urnas”, sem outra razão que não tivesse sido a sua sobrevivência politica!).
Ora, com esta afirmação – o chumbo do Orçamento não pressuporá eleições –, Seguro acabou com a dramatização anunciada.
Ou seja, o PR “tirou o brinquedo aos meninos”!!!
E, com isto, deixou-os (a Montenegro e aos parceiros do “núcleo duro” do “seu” Executivo) sem desculpas, sem estratégias de fuga, sem a possibilidade de retirar a atenção sobre os erros, as incapacidades, os adiamentos e as hesitações do Governo.
Ou seja, acabou a “telenovela” que – este ano – estava já na sua “pré-temporada”!
Deixando tudo a descoberto… incluindo, obviamente e por falar em “folhetins”, os novos episódios dos casos ‘Spinumviva’, ‘Pagamento da Casa’ ou ‘Mais-valias das Ações do BCP’!!!
Tudo isto sem uma palavra de simpatia – sequer – de António José Seguro para quem tanto contribuiu para os seus quase 67%!
Uma injustiça… ou talvez não, mas antes e apenas a confirmação do princípio… “Roma traditoribus non premiae”.
Ou, numa tradução que seja perceptível em S. Bento, “Roma não paga a traidores”!!!

Rui Gomes da Silva
Poderia, hoje, falar sobre a crise do Médio Oriente ou – até – sobre o ódio aos EUA (agora disfarçado de ‘militantismo’ anti-Trump) de tanto ‘comentador’ que nos entra em casa, pela televisão, na sua esmagadora maioria sem saber do que está a falar!
Como poderia, ainda, abordar a – para mim – cada vez mais evidente reserva exclusiva de um ex-governante nas escolhas para o MAI, desde que Luís Montenegro assumiu as funções de PM.
Mas… prefiro, antes, regressar ao que, desde há alguns anos, tenho vindo a sustentar: o PSD caminha, de forma rápida e em plano inclinado, para a sua irrelevância política.
E, com esse desaparecimento como grande partido, Luís Montenegro será o último PM da história do PSD.
Uma crise que – depois de Pedro Passos Coelho ter abandonado o Governo nesse golpe palaciano que deu pelo nome de ‘Geringonça’ – teve Rui Rio como protagonista principal.
E, quando todos achavam que o ‘calvário’ poderia ter um fim, eis que o PSD de Luís Montenegro ganhou umas eleições à tangente (mesmo depois de o PS ter saído do Governo com acusações gravíssimas… incluindo as relativas ao dinheiro escondido em caixas de garrafas… na residência oficial do PM).
Durante alguns anos, fui alertando para esses erros, até ter decidido sair do PSD, depois de 48 anos de militância.
E, como se já não bastasse a erosão do poder, ampliada pela falta de projeto político da atual maioria (embora minoritária) parlamentar, eis que surgem os sinais evidentes de que já nem o Partido aguenta esse poder, que tentou ser absoluto, do eixo Espinho/Braga, centrado cada vez mais e só a Norte de Portugal.
O PSD profundo está a bater com a porta na cara da dupla Luís Montenegro/Hugo Soares, como o provaram as derrotas dos dois no mesmo dia (ironia do destino), nas eleições internas para a Distrital de Braga e da Concelhia de Espinho… e que poderá continuar nas próximas eleições para a Distrital de Lisboa.
Só não percebeu quem não quis… se calhar, os próprios e os seus acólitos mais próximos recusaram-se a ler o seu significado… mas tudo leva este PSD fraco e sem ideias a caminho do Bloco Central, que, porventura, a tal dupla referida não terá outra hipótese que não seja aceitar.
Um Bloco Central que alguns querem reeditar, com as exteriorizações bem evidentes nos apoios a António José Seguro, na 2ª volta das presidenciais (incluindo pessoas do círculo íntimo do poder partidário de Montenegro), passando pela escolha de Luís Neves para MAI ou de um ex-secretário de Estado de António Costa para um relevante cargo de nomeação política do Governo.
Eis um PSD em fim de ciclo!
Sem capacidade interna para ganhar eleições com grande significado político, sem capacidade para resistir ao Bloco Central, já como figurante, na sua preocupação de tentar combater o CHEGA, inconsequente e não conseguida, face ao cada vez maior apoio político ao seu líder.
E se o futuro será por aí (um Bloco Central de interesses, desesperados antes de os portugueses darem uma maioria absoluta a André Ventura), ficará a memória dos que, com a Nova Esperança, no PSD, lutaram, entre 1983 e 1985, contra o Bloco Central (Pedro Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa, Conceição Monteiro, José Manuel Durão Barroso, José Miguel Júdice… e, entre tantos outros, muito modestamente, eu próprio) ou de Aníbal Cavaco Silva que, sem querer saber dos invocados “interesses nacionais”, chegou à liderança do PSD e, mesmo com a entrada muito próxima de Portugal na então CEE, não hesitou no derrube desse mesmo Bloco Central.
Quando se governa por sondagens e não por princípios, quando se abdica das convicções por imposições de interesses de terceiros, quando não se tem poder para fazer escolhas, mas antes se tem de seguir o caminho que nos indicam, quando se decide por medo do MP ou da PJ (o que não significa não respeitar o que representam)… então o caminho, se não fica mais curto, pode – apenas – prolongar-se como aparência, sem qualquer rumo, sem concretizar o que quer que seja, sem fazer as reformas que Portugal precisa.
É esse, também, o fundamento das últimas posições de Pedro Passos Coelho.
Que – por causa da força que têm pela verdade que encerram – tanta irritação e tanto desconforto têm causado no núcleo duro do Governo, muito especialmente no eixo Espinho/Braga.
O que antecipa o fim anunciado.
Um fim que os próximos dias, as próximas semanas, mais provarão ser inevitável, pelas cedências ao PS… em tudo!
O fim do PSD, depois de um último estertor num Bloco Central contra André Ventura… num ‘apeadeiro’ onde descerão muitos dos, até agora, votantes da AD, que permitirão ao CHEGA e ao seu líder um caminho sereno e convicto para uma maioria absoluta, por mais cenários que os novos estrategas de Belém imaginem.
Para que – depois – não digam que foram surpreendidos!!!