A polícia francesa está a realizar nesta terça-feira, dia 3 buscas nos escritórios da rede social X, em Paris, no âmbito de uma investigação judicial alargada que envolve a plataforma detida por Elon Musk. A operação decorre sob a coordenação da Procuradoria de Paris, com o apoio da Europol.
Segundo o Ministério Público francês, Elon Musk, proprietário da X, e a antiga diretora-executiva da empresa, Linda Yaccarino, foram notificados para responder a questões no âmbito do processo e convocados para audiências marcadas para o dia 20 de abril. Vários outros funcionários da plataforma deverão igualmente ser ouvidos como testemunhas entre 20 e 24 de abril de 2026.
A investigação teve início em janeiro de 2025 e incide sobre suspeitas de uso abusivo do algoritmo da X e de extração fraudulenta de dados, alegadamente praticadas pela empresa ou por responsáveis da plataforma. Em comunicado divulgado nas redes sociais, a Procuradoria de Paris confirmou o alargamento do inquérito na sequência de denúncias relacionadas com o funcionamento do Grok, o sistema de inteligência artificial associado à rede social.
As autoridades judiciais francesas estão a apurar a eventual prática de vários crimes, entre os quais cumplicidade na posse, distribuição ou disponibilização organizada de conteúdos pornográficos envolvendo menores, difamação através de conteúdos manipulados digitalmente (deepfakes de natureza sexual), negação de crimes contra a humanidade, extração fraudulenta de dados de sistemas informáticos, falsificação do funcionamento de sistemas automatizados e exploração ilegal de uma plataforma online por um grupo organizado.
Até ao momento, a empresa não reagiu oficialmente às diligências. Recorde-se que, em julho, Elon Musk rejeitou as acusações iniciais, classificando a investigação como “politicamente motivada” e negando qualquer manipulação do algoritmo da plataforma.
Por seu lado, a Procuradoria sustenta que a operação tem como objetivo garantir que a X cumpre a legislação francesa e europeia aplicável às plataformas digitais, nomeadamente no que respeita à proteção de dados, ao combate a conteúdos ilegais e à responsabilidade das empresas tecnológicas.

















