A crise envolvendo a Ypê deixou de ser apenas um problema sanitário e transformou-se numa verdadeira batalha política nas redes sociais brasileiras. A decisão da Anvisa de suspender lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes da marca por risco de contaminação microbiológica provocou uma reação imediata entre apoiantes da direita e do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nas últimas horas, milhares de publicações começaram a circular no X, Instagram e TikTok defendendo a empresa. Muitos internautas acusam o governo Lula e a Anvisa de perseguição política contra a fabricante, depois de vir à tona que membros da família Beira — dona da Ypê — fizeram doações milionárias para a campanha de Bolsonaro em 2022.

A mobilização ganhou ainda mais força após políticos conservadores, influenciadores digitais e celebridades entrarem na discussão. A cantora Jojo Todynho afirmou que não pretende deixar de usar os produtos da marca, enquanto Michelle Bolsonaro publicou imagens em apoio à empresa.

Em várias publicações, consumidores passaram a mostrar compras de produtos da marca como forma de “protesto político”. Alguns apoiantes chegaram a afirmar que passariam a comprar exclusivamente produtos Ypê depois da decisão da agência sanitária.

A Anvisa, no entanto, afirma que a medida foi técnica e baseada em falhas identificadas nos controlos de qualidade da fabricante. Segundo a agência, existe risco de contaminação microbiológica em produtos com numeração final 1 fabricados pela Química Amparo, responsável pela marca.

A Ypê também já enfrentou outros problemas com órgãos de fiscalização no Brasil e acumulou notificações e multas relacionadas a questões de qualidade e publicidade ao longo dos últimos anos.

O caso acabou por expor mais uma vez a forte polarização política no Brasil, onde até produtos de limpeza passaram a ser usados como símbolo ideológico na guerra entre apoiantes de Lula e Bolsonaro.