A indignação está a instalar-se junto de vários cidadãos, depois de um cidadão se ter disponibilizado para transportar telhas até ao depósito da Câmara Municipal da Marinha Grande, a seguir ao seu horário de trabalho. No entanto, obteve como resposta que os funcionários daquele departamento não fazem horas extra.

Foi no grupo ‘Banco de Telhas’, uma iniciativa popular criada nas redes sociais que visa a angariação de bens e materiais para apoiar as vítimas do mau tempo em Portugal, que Vasco Morais escreveu um desabafo, lamentando a “indiferença” da autarquia, que é uma das mais afetadas do país.

“Deixo aqui um desabafo, visto que estou a tentar ajudar com o transporte de algumas telhas para as zonas afetadas”, iniciou. “Disponibilizei a minha carrinha de caixa aberta para transportar donativos de várias partes do país para as zonas mais afetadas, nomeadamente Leiria e Marinha Grande. Rapidamente surgiram cidadãos dispostos a ajudar: uns com eletrodomésticos, outros com lonas, outros com o que tinham ao seu alcance. No entanto, tornou-se evidente que a necessidade mais urgente neste momento é a falta de telhas”, começou por explicar, revelando que um indivíduo o contactou para doar mil telhas. Um apoio “que poderia beneficiar diretamente várias famílias”.

Apesar da disponibilidade manifestada, do outro lado a situação não se revelaria tão solidária. “O objetivo era simples: transportar as telhas para um depósito da Câmara Municipal da Marinha Grande, assegurando a sua distribuição a quem delas mais necessita. Contudo, surgiu um obstáculo difícil de compreender”, acrescentou.

“Sendo trabalhador por conta própria, apenas consigo realizar estes transportes fora do meu horário laboral. Solicitei, por isso, autorização para descarregar as telhas fora do horário de funcionamento do depósito. Um pedido simples, razoável e justificado pela situação de emergência. A resposta foi negativa”, lamentou. No entanto, foi-lhe transmitido que o “depósito encerra às 19:00, sem exceções”.

As circunstâncias instalaram um sentimento de revolta em Vasco Morais, que se insurgiu perante a atitude do município.

“Não houve abertura para uma solução alternativa, mesmo tratando-se de um contexto de emergência e de um donativo essencial para habitações destelhadas. (…) Esperava-se que, em momentos excecionais, também as instituições públicas demonstrassem flexibilidade, empatia e sentido de missão social”, apregoou indignado. E não deixou a situação passar ao de leve, terminando com um recado: “Porque as tempestades passam mas a indiferença deixa marcas mais profundas. E a Câmara Municipal da Marinha Grande (que tanto se diz ser Socialista) deixou aqui uma mensagem clara: Ajudar, sim… mas com ordenado e horários das 9:00 e as 17:00”, concluiu.

Contactado pelo 24Horas, o departamento de comunicação da Câmara da Marinha Grande nega ter conhecimento da situação, mas explica que, embora o horário para entrega e recolha de bens nos estaleiros municipais esteja estipulado das 9:00 às 18:00, para controlo e resposta aos fluxos de maior afluência, estas instalações estão abertas 24 horas por dia, com a presença de um segurança.

Uma responsável municipal acrescenta ao 24Horas ainda que já várias vezes foram recebidos longas horas após este horário, no entanto, apenas aqueles que não requerem o uso de empilhadores para descarga, já que os seus manuseadores não “conseguem trabalhar o dia inteiro”.