Ao longo da última semana de janeiro, a Câmara Municipal de Lisboa iniciou uma operação de apreensão de bicicletas estacionadas na via pública em várias zonas da cidade. A ação está a ser levada a cabo pela Polícia Municipal e, segundo a autarquia, deverá alargar-se progressivamente a todo o território lisboeta.

Em causa estão bicicletas consideradas abandonadas ou estacionadas de forma irregular, nomeadamente presas a postes, sinais de trânsito ou outros elementos do espaço público. O objetivo, explica o executivo municipal, é libertar o espaço urbano e garantir melhores condições de circulação para os peões.

No entanto, a medida está a gerar contestação entre utilizadores de bicicleta, que acusam a Polícia Municipal de estar a apreender veículos de uso diário. Nas redes sociais têm circulado vários protestos e avisos aos mais incautos por parte da comunidade que utiliza bicicletas para se deslocar. Um desses casos é o de Larissa Lewandoski, cineasta brasileira de 33 anos, que relatou ao Público a surpresa ao perceber que a sua bicicleta tinha desaparecido. Na terça-feira, dia 27 de manhã, ao sair de casa, na Rua Poeta Milton, na freguesia de Arroios, pensou inicialmente que tinha sido roubada. “Fui perguntar aos vizinhos se tinham visto alguma coisa”, contou. Mais tarde, percebeu que a bicicleta tinha sido apreendida.

A CDU condenou publicamente a iniciativa da autarquia liderada por Carlos Moedas, considerando que a apreensão de bicicletas penaliza a mobilidade suave e afeta sobretudo quem depende deste meio de transporte no dia-a-dia.

Os ciclistas afetados queixam-se da falta de aviso prévio e de alternativas adequadas. “Esta forma de atuar parece-me bastante arbitrária. Dá a sensação de ser uma maneira fácil de fazer dinheiro”, afirmou Larissa, ao destacar a escassez de estacionamento seguro para bicicletas, sobretudo em zonas com habitação pequena ou apartamentos partilhados, onde não existe espaço para guardar os veículos no interior.

Até ao momento, a Câmara Municipal de Lisboa não divulgou o número total de bicicletas apreendidas nem os critérios exatos utilizados para distinguir uma bicicleta abandonada de uma em utilização regular. A autarquia garante, no entanto, que os proprietários poderão recuperar os veículos mediante prova de propriedade, embora ainda não estejam claros os procedimentos a seguir nem os custos associados.