O empresário Miguel Guedes de Sousa voltou a lançar duríssimas críticas ao estado do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, apontando responsabilidades diretas à classe política portuguesa, às autoridades aeroportuárias e às estruturas de controlo de fronteiras, num desabafo que já está a provocar forte impacto nos meios empresariais e turísticos nacionais.
Ligado ao universo da Amorim Luxury — grupo que possui investimentos milionários na Comporta, na hotelaria premium e na Avenida da Liberdade, através de marcas como a JNcQUOI — Miguel Guedes de Sousa considera que Portugal está a desperdiçar uma oportunidade histórica de afirmação internacional devido à incapacidade política para resolver os problemas estruturais do principal aeroporto do país.
Num testemunho marcado pela indignação, o empresário afirmou já ter “opinado, escrito, avisado, alertado e berrado”, mas sem resultados práticos, denunciando aquilo que considera ser uma “ausência total de vontade real” para enfrentar o problema.
Segundo Miguel Guedes de Sousa, o caos vivido diariamente nas chegadas e partidas do aeroporto lisboeta — com filas intermináveis, tempos de espera de várias horas, passageiros exaustos e turistas revoltados — constitui um golpe profundo na credibilidade externa de Portugal, sobretudo num momento em que o país tenta afirmar-se como destino de excelência para investimento, turismo de luxo e grandes eventos internacionais.
O empresário critica ainda aquilo que considera ser uma cultura de bloqueio instalada no país, acusando diferentes entidades de defenderem apenas “o seu pequeno quintal”, sem capacidade de coordenação estratégica. Nas críticas mais contundentes, lamenta que Portugal não tenha hoje “políticos com força, coragem e autoridade” para impor soluções estruturais, deixando o país mergulhado numa lógica de “mediocridade” e resignação.
As declarações surgem depois de vários episódios de congestionamento extremo no controlo fronteiriço do Aeroporto Humberto Delgado, situação que se tem agravado nos últimos meses e que já levou empresários, operadores turísticos e associações do setor a alertarem para os prejuízos económicos e reputacionais causados ao país. Houve mesmo relatos de passageiros sujeitos a esperas superiores a sete horas nas áreas de imigração, sobretudo em voos oriundos de fora do espaço europeu.
Miguel Guedes de Sousa considera que a situação representa uma contradição insanável: enquanto grupos privados investem milhões para elevar a imagem de Portugal junto das elites internacionais, a principal porta de entrada do país oferece, segundo o empresário, uma experiência “degradante” e incompatível com a ambição de um destino premium.
No setor do turismo e da hotelaria de luxo, as palavras do empresário estão a ser vistas como um sinal de crescente exasperação das elites económicas perante a incapacidade do Estado em acompanhar o ritmo de crescimento da procura turística internacional. E, nos bastidores, há já quem admita que o tema do aeroporto de Lisboa se tornou um dos principais fatores de desgaste da imagem externa do país junto de investidores estrangeiros.

















