O desembarque dos passageiros do MV Hondius, o navio afetado por um surto de hantavírus, começou este domingo, dia 10, em Tenerife, no porto de Granadilla, sob um dispositivo excecional de segurança sanitária coordenado por Espanha, pela Organização Mundial da Saúde e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.

A operação arrancou com os passageiros espanhóis, retirados em pequenos grupos e encaminhados para Madrid num avião militar, apesar de se manterem assintomáticos, segundo as autoridades sanitárias do país vizinho.

O caso ganhou dimensão internacional depois de, a bordo, terem sido identificadas oito pessoas doentes, das quais seis casos confirmados e dois suspeitos, com três mortes já associadas ao surto – um casal neerlandês e um cidadão alemão. Embora o hantavírus costume ser transmitido por roedores e o risco de propagação à população em geral seja considerado baixo, o ECDC decidiu tratar todos os passageiros como contatos de alto risco, por precaução, recomendando quarentena e vigilância apertada após o regresso aos respetivos países.

A ministra espanhola da Saúde, Mónica García, afirmou no local que “o fundeio foi um sucesso, apesar de todas as adversidades”, e acrescentou que “todos os passageiros seguem assintomáticos”, sublinhando que o dispositivo montado em Tenerife é “inédito”.

Os cidadãos espanhóis serão isolados no Hospital Central de la Defensa Gómez Ulla, em Madrid, enquanto os restantes passageiros serão repatriados pelos respetivos países em transportes especialmente organizados, evitando voos comerciais.

O desembarque deverá prolongar-se entre domingo e segunda-feira, envolvendo passageiros de 23 países. Parte da tripulação deixará também o navio, enquanto outros elementos permanecerão a bordo até que o MV Hondius seja levado para os Países Baixos, onde será desinfetado. Mais do que uma simples operação portuária, o que aconteceu em Tenerife transformou-se num teste raro à capacidade de resposta sanitária internacional perante um surto incomum em contexto marítimo.