O Hospital Vall d’Hebron, em Barcelona, efetuou o primeiro transplante parcial de face do mundo a partir de uma doadora que pediu para ser eutanasiada, um marco na medicina reconstrutiva e transplantológica.
A operação, realizada no outono de 2025 por uma equipa de cerca de 100 profissionais, utilizou técnicas de microcirurgia vasculonerviosa extremamente complexas e durou aproximadamente 24 horas. O hospital apresentou o caso esta segunda-feira, dia 2, numa conferência de imprensa em que esteve presente a recetora, Carmen, que sofreu uma infeção grave, em 2024, após a picada de um inseto, levando à morte de células e tecidos do rosto. A situação provocou uma alteração severa das funções da fala, respiração e alimentação, colocando a sua vida em risco.
Carmen deu entrada no hospital para uma intervenção de urgência que permitisse assegurar a nutrição e foi então informada da possibilidade de um transplante facial. Esta segunda-feira, a paciente apresentou-se ao mundo e afirmou sentir-se “bem e contente”, agradecendo à equipa médica e à dadora e respetiva família a generosidade demonstrada.
O hospital explicou que o facto da dadora, uma mulher que havia solicitado eutanásia, ter manifestado a vontade de doar os seus órgãos e tecidos – incluindo o rosto – permitiu um planeamento mais detalhado, com modelos 3D tanto da dadora como da recetora, melhorando a precisão da intervenção.
A dadora e recetora de um transplante facial têm de partilhar o mesmo sexo, grupo sanguíneo e apresentar medidas antropométricas semelhantes, uma vez que o rosto concentra a imagem que o indivíduo projeta e está intimamente ligado à identidade pessoal.
Trata-se do sexto transplante facial realizado em Espanha – metade deles no Vall d’Hebron – e o número 54 a nível mundial, refletindo a especialização do centro catalão em cirurgias de grande complexidade e a importância da doação de órgãos em situações legalmente regulamentadas.

















