A saída de José Manuel Rosendo, de 65 anos, da redação da Antena 1 para a Agenda, foi um dos temas mais quentes da reunião entre os Membros Eleitos do Conselho de Redação (MECR) – Alexandra Sofia Costa, Camila Vidal, Cláudia Martins, Frederico Pinheiro, Gonçalo Costa Martins e João Couraceiro – e o diretor de Informação (DI), Mário Galego. O 24Horas teve acesso ao documento explosivo do encontro e conta-lhe agora tudo sobre a polémica à volta de um dos nomes históricos da rádio portuguesa.
No referido encontro com Mário Galego, o Conselho de Redação lamentou a perda de um jornalista experiente e que representa uma mais-valia para qualquer órgão de comunicação social. O diretor de Informação explicou que a saída ocorreu após “pedidos insistentes do próprio que duraram cerca de um ano” e que foram sempre negados por si.
Sem querer revelar aos MECR quais as funções alternativas propostas ao jornalista, mas frisando que “os pedidos foram tão insistentes que se tornaram confrangedores”, o DI garantiu que a sua saída foi comunicada em reunião de coordenadores, na qual “ninguém levantou questões”, e “que toda a redação” sabia desta saída. Mário Galego recordou que “os lugares, as funções, estão sempre em aberto” e não se comprometeu com a possibilidade de reverter a passagem de Rosendo para a Agenda.
Quanto à editoria de Internacional, de acordo com o DI, ela está “suspensa”. Quando questionado pelos MECR, Mário Galego admitiu que não foi pensado um plano diferente para esta mesma área, assumindo que a ‘saída’ do histórico jornalista se relacionaria com um eventual subaproveitamento noticioso da mesma. O diretor esclareceu que não foi pensado um novo desenho para a secção, nem proposto nada a José Manuel Rosendo. Sobre a eventualidade de designar um novo rosto, o responsável sublinhou que a redação está “curta e vai ficar ainda pior”.
No documento a que o 24Horas teve acesso, os MECR lamentam a “perda do capital humano” que José Manuel Rosendo traz para uma redação, “cada vez mais empobrecida de recursos humanos”, e que não tenha sido encontrada uma alternativa para o manter na Informação da rádio. Recorde-se que o jornalista foi alvo dos mais rasgados elogios no recente trabalho efetuado no Médio Oriente, nomeadamente no genocídio de Israel na Palestina. “Tudo isto, à volta da sua saída, é estranho. O Zé é um dos melhores, faz a diferença”, conta fonte da rádio pública ao 24Horas, recordando que o camarada de profissão é chamado à televisão, muitas vezes, para comentar assuntos internacionais.
O Conselho de Redação apelou, por fim, ao DI para “não dar o caso como perdido” e para manter opções em aberto, para bem da qualidade informativa da Antena 1.


















