Aos estragos que se fazem sentir na zona de Leiria, na sequência da passagem da depressão Kristin e do mau tempo que assola Portugal, tem-se seguido uma onda de assaltos e de roubos. Instalações de empresas são saqueadas e postos de abastecimento de combustível têm sido alvo de assaltos . O roubo de cabos elétricos e de gasóleo para geradores que se tem registado em vários municípios está a atrasar a reposição de água e luz no distrito.
“Precisamos que o Exército nos venha ajudar a proteger as empresas, porque as empresas estão a começar a ser saqueadas”, apelou Maria Almeida, coproprietária de uma empresa na Marinha Grande, em declarações à agência Lusa.
Sucedem-se, igualamente, as queixas do roubo de cobre, alumínio e de outros materiais. “Tenho medo de que entrem e roubem o que nos sobrou. Precisamos que sejam criados grupos de segurança, porque nós não podemos passar aqui a noite armados em heróis”, adiantou ao ‘Correio da Manhã’ o sócio de uma empresa de alumínio em Pousos, Leiria.
“Durante o dia estamos em operações de limpeza, com funcionários, amigos, familiares e uma grua para os pesos maiores. Durante a noite vamos continuar a montar piquetes, de três, quatro pessoas, para que não nos levem o que restou, máquinas, componentes, cabos, quadros, diverso material. Mas é muito complicado estar a trabalhar, a limpar durante o dia e de noite estar a fazer piquetes”, acrescenta à mesma fonte um outro empresário.
Depois de nos últimos dias, os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Leiria (SMAS) terem tornado públicas situações semelhantes, com o furto de cobre numa estação elevatória, agora o município de Porto de Mós (distrito de Leiria) denuncia o roubo de cabos e gasóleo de geradores. Um responsável da autarquia afirma que estes assaltos retiram também a possibilidade de devolver água e luz a muitas casas.
“É mesmo revoltante. Depois de uma catástrofe natural, quando as pessoas já estão fragilizadas e a tentar sobreviver, ainda ter de lidar com esse tipo de atitude é de cortar o coração. Roubar cabos e gasóleo não é só roubo, é tirar luz, água, cuidados médicos e segurança a quem mais precisa”, escreveu o vice-presidente da autarquia , Eduardo Amaral, numa publicação nas redes sociais.
Eduardo Amaral explica ainda à agência Lusa que são levados “cabos de alimentação dos geradores que estavam a servir as centrais de transferência de água” e “têm andado a roubar o gasóleo dos próprios geradores”.




















