A subida do caudal do rio Tejo continua a provocar inundações e a obrigar a medidas preventivas nos concelhos ribeirinhos, levando à retirada antecipada de cerca de 250 pessoas no concelho de Santarém. A informação foi confirmada à agência Lusa pelo presidente da câmara, João Teixeira Leite, que explicou que a autarquia determinou a evacuação das zonas da Ribeira de Santarém, Caneiras e Reguengo do Alviela face ao aumento contínuo do nível da água.

Segundo o autarca, o caudal do Tejo continuava a crescer durante a madrugada, com registos a apontarem para um débito de cerca de 8.500 metros cúbicos por segundo, um valor considerado elevado e que exige monitorização permanente. “É um valor elevado que requer esse acompanhamento, na certeza de que com este valor o nível da água vai aumentar”, sublinhou João Teixeira Leite à Lusa.

A aldeia de Caneiras foi totalmente evacuada, enquanto na Ribeira de Santarém saiu uma grande maioria da população, permanecendo apenas moradores que vivem em pisos superiores e que, segundo a autarquia, não correm risco imediato, estando ainda assim a ser acompanhados no terreno. No Reguengo do Alviela, a situação mantém-se sob vigilância através dos bombeiros municipais. No total, cerca de 250 pessoas abandonaram as suas habitações de forma preventiva.

Foi criado um centro de acolhimento no pavilhão municipal de Santarém, dotado de apoio clínico, médico e alimentação, onde se encontravam acolhidas 51 pessoas. A Câmara decidiu também encerrar todas as escolas do concelho esta sexta-feira, com o objetivo de reduzir deslocações e minimizar riscos, apelando à população para que limite ao máximo as viagens.

Já no concelho de Vila Franca de Xira, a Proteção Civil Municipal confirmou a ocorrência de inundações em algumas zonas ribeirinhas. Em comunicado, as autoridades recomendaram que a população evite as áreas junto ao rio, retire viaturas de zonas inundáveis e proteja bens e documentação importante, aconselhando ainda a deslocação para zonas altas ou pisos superiores em caso de agravamento da situação.

A Proteção Civil alertou que, em situação de emergência, os bombeiros emitirão um sinal sonoro com cinco toques de sirene. Com a aproximação de nova depressão, o município mantém-se em estado de prontidão, continuando a acompanhar a evolução do Tejo e a emitir atualizações sempre que necessário.

A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira ativou na quinta-feira, dia 5, o plano municipal de emergência e proteção civil, na sequência da previsão de uma subida anormal do nível do rio, associada à abertura de comportas em Espanha. O presidente da câmara, Fernando Paulo Ferreira, afirmou que o plano permanecerá ativo “enquanto for necessário”, sendo feitas avaliações regulares da situação, incluindo decisões sobre o funcionamento das escolas.

O presidente da Câmara Municipal da Golegã, no distrito de Santarém, também decidiu adiar as eleições presidenciais para dia 15, para evitar a deslocação de pessoas, devido ao mau tempo. “Contactámos a Comissão Nacional de Eleições e optámos por adiar o ato eleitoral, aliás como muitos municípios já fizeram”, disse António Camilo, em declarações à Lusa.

A Proteção Civil identifica múltiplas vias submersas, cortadas ou com circulação condicionada em vários concelhos do distrito de Santarém. No concelho de Santarém, estão submersas ou cortadas, entre outras:

  • a EN365-4 (Ponte de Alcaides);
  • a Ponte do Alviela (EN365);
  • o cais de embarque da Ribeira de Santarém;
  • várias artérias na Ribeira de Santarém e em Azoia de Baixo;
  • a Calçada de Santa Clara, cortada devido a deslizamento de terras;
  • a EN3, na Ponte da Asseca, atualmente submersa;
  • o Reguengo do Alviela, que se encontra isolado

A Proteção Civil de Abrantes informa que estão cortadas as seguintes vias:

  • EN2, entre Arrifana e Bemposta;
  • EN118, entre Rossio ao Sul do Tejo e Coalhos;
  • EN118, entre Tramagal e Rossio ao Sul do Tejo;
  • EN2 entre Rotunda das Oliveiras e Barreiras do Tejo;
  • Entre Arrifana e S. Miguel do Rio Torto;
  • Na rotunda de acesso a Alvega, só é permitida a passagem a moradores de Concavada e Pego;
  • Na ponte rodoviária sobre o Tejo que liga Abrantes a Rossio ao Sul do Tejo só circulam veículos de emergência e moradores da margem sul.