A última reunião da vereação da Câmara Municipal de Cascais foi palco de um momento verdadeiramente hilariante, com um vereador da oposição a questionar o presidente da edilidade sobre uma suposta perda de receita mensal de 10 mil euros por parte da autarquia, referente à rescisão de um contrato de arrendamento de um espaço na Marina de Cascais. Só que o vereador, afinal, tinha lido mal o contrato, e era exatamente o contrário: a Câmara estava era a poupar 10 mil euros por mês…

O protagonista desta ‘gaffe’ chama-se António Castro Henriques, e foi um dos administradores do Millenniumbcp afastados na sequência do escândalo que abalou aquele banco em 2007, e que chegou mesmo a ser inibido pelo Banco de Portugal de exercer funções na banca. Hoje dedicado ao negócio dos módulos pré-fabricados, mas também a fazer um ‘pezinho’ na política, tendo sido eleito vereador da Câmara de Cascais nas últimas eleições pela lista independente ‘Cascais para viver’, Castro Henriques não perde uma oportunidade para mostrar o seu afã escrutinador nas reuniões do executivo municipal.

Na última reunião de Câmara, Castro Henriques pediu a palavra para, num tom algo indignado, questionar o presidente Nuno Piteira Lopes, a quem pediu explicações sobre a autarquia ter rescindido um suposto contrato de arrendamento com a Marina de Cascais: ”É que a Câmara anuiu à rescisão, e prescindiu de uma receita de 10 mil euros por mês, que ainda é significativo”, afirmou, para perguntar logo depois: “Houve algum outro entendimento que compense a Câmara desta menor receita?”

A resposta de Piteira Lopes tardou uns segundos, o que levou mesmo Castro Henriques, num registo condescendente, a mostrar a sua disposição para dar tempo ao chefe do executivo em responder-lhe: “Se não estava preparado para este ponto, podemos falar mais tarde…”, afirmou benevolente.

Só que o vereador da oposição afinal tinha lido o contrato ao contrário, ou seja, partiu do pressuposto que o senhorio era a Câmara e o arrendatário a Marina de Cascais, quando era exatamente o invés: “Não sei se o sr. vereador viu o contrato ao contrário, é que o senhorio é a Marina Cascais e o arrendatário é a Câmara”, respondeu-lhe Piteira Lopes. Por outras palavras, a Câmara não perdeu uma receita 10 mil euros mensais de receita, deixou foi de ter uma despesa de 10 mil euros…