No Caniçal, ilha da Madeira, um labrador de 11 anos, chamado Júnior, foi encontrado em estado grave depois de, alegadamente, ter sido espancado com um pé de cabra pelo seu próprio dono, apenas por ter ladrado. O cão, que além de sénior era paraplégico, apresentava cortes profundos na cabeça e estava a sofrer intensamente quando foi localizado por quem chamou as autoridades e uma associação de proteção animal para o resgatar. Antes da chegada da Polícia de Segurança Pública (PSP), o agressor terá tentado apagar vestígios da violência, inclusive tentando lavar o sangue que o ligava ao crime.

A intervenção coube à associação madeirense Ajuda a Alimentar Cães de Rua, em conjunto com o Canil Municipal de Machico e a PSP, que estabilizaram o animal e o retiraram da situação de risco. Depois de dois dias internado, Júnior ficou aos cuidados da associação, que descreveu o caso como “gravíssimo” e apelou à ajuda da comunidade para custear os tratamentos veterinários necessários, incluindo uma tomografia computorizada para avaliar a extensão das lesões e decidir sobre os próximos passos no seu cuidado.

Segundo voluntários e testemunhas, o suposto agressor não resistiu às autoridades quando estas chegaram e admitiu aquilo que tinha feito, estando “alcoolizado mas calmo e consciente do ato”. A associação sublinhou também que o cão demonstrava sinais de trauma emocional, com medo de ladrar e visivelmente confuso e triste, reflexo do sofrimento tanto físico como psicológico pelo qual passou.

A situação gerou forte indignação pública e a associação apresentou queixa-crime, com apoio jurídico especializado, com o objetivo de que o caso seja devidamente investigado e que se faça justiça. Em Portugal, agredir um animal constitui crime e pode ser punível com pena de prisão, e os grupos de proteção esperam que a existência de provas e testemunhos permita responsabilizar o alegado agressor nos termos da lei.