André Ventura, de 43 anos, defendeu, numa entrevista publicada esta segunda-feira, dia 9, no jornal económico ECO (jornal online português), que a direita portuguesa precisa de se reorganizar e aproximar de um modelo semelhante ao italiano para conseguir implementar reformas estruturais no país. Segundo o líder do Chega, uma “italianização” da direita – isto é, uma maior convergência entre partidos do mesmo campo político – seria a única forma de criar maiorias sólidas capazes de governar e alterar o rumo das políticas públicas. 

Na conversa com o ECO, Ventura faz também um balanço das eleições presidenciais de 2026, nas quais foi derrotado na segunda volta por António José Seguro, mas sublinha que o resultado obtido, superior a um terço dos votos, representou o melhor desempenho de sempre do seu espaço político. O líder do Chega considera que esse resultado consolidou a sua posição como principal referência da direita portuguesa. 

Sobre o novo Presidente da República, Ventura afirma não ter grandes expectativas quanto a mudanças profundas no sistema político. Na sua opinião, Seguro tenderá a manter o funcionamento institucional existente e dificilmente promoverá reformas estruturais. Ainda assim, admite que o chefe de Estado poderá ter um papel relevante em áreas como a saúde, onde considera existir margem para intervenção política e institucional. 

Ao longo da entrevista, Ventura insiste que o seu objetivo político permanece o mesmo: transformar o crescimento eleitoral do Chega numa alternativa de Governo. Para o líder partidário, o atual contexto político demonstra que existe uma parte significativa do eleitorado disponível para apoiar uma mudança mais profunda na orientação política do País.