Um agente da Polícia Federal foi detido depois de protagonizar um episódio de ameaça armada com alegados contornos homofóbicos num estabelecimento comercial do Distrito Federal. O caso ocorreu na passada sexta-feira, dia 12, mas ganhou repercussão nacional apenas esta semana, após a divulgação das imagens de videovigilância que registaram o momento da abordagem.
Segundo apurou o 24Horas, os dois homens visados são colegas de trabalho e tinham terminado o expediente pouco antes do incidente. Decidiram parar numa barraca de espetadinhas em Samambaia, numa zona movimentada daquela região administrativa, para uma refeição rápida antes de regressarem a casa. Um deles optou por consumir o alimento no próprio local, enquanto o outro pediu que a espetada fosse embalada para a viagem, uma vez que planeava jantar mais tarde com a esposa.
De acordo com o auto de ocorrência, os dois conversavam de forma descontraída quando passaram a ser interpelados pelo agente federal. A abordagem começou com comentários jocosos e insinuações sobre uma suposta relação entre ambos. O que parecia um episódio de escárnio rapidamente evoluiu para um cenário de intimidação: visivelmente exaltado, o agente sacou da arma de serviço e passou a dirigir ameaças directas às vítimas.
“Vocês são um casal?”, terá questionado, segundo relatos constantes no inquérito, enquanto mantinha os dois homens sob a mira da pistola. As vítimas tentaram esclarecer que eram apenas amigos, mas a tensão aumentou no local. Testemunhas afirmam que não houve qualquer comportamento que justificasse a reacção e que a simples proximidade entre os colegas terá motivado as provocações iniciais.
A intervenção de pessoas que se encontravam no estabelecimento e a rápida chegada de autoridades evitaram um desfecho mais grave. A arma foi apreendida no local.
A divulgação das imagens desencadeou forte reacção nas redes sociais e junto de associações de defesa dos direitos LGBTQIA+, que classificaram o episódio como um alegado abuso de autoridade motivado por preconceito. Representantes dessas entidades sublinham que a actuação de um agente do Estado deve pautar-se pela legalidade e pelo respeito aos direitos fundamentais.
Em nota, a Polícia Federal confirmou a instauração de processo administrativo disciplinar para apurar responsabilidades. O agente poderá enfrentar sanções que vão da suspensão à expulsão dos quadros da corporação. Paralelamente, responderá na esfera criminal por ameaça e injúria, podendo haver agravamento de pena caso se confirme motivação discriminatória, conforme previsto na legislação brasileira.

















