A União Europeia e o Mercosul formalizaram um acordo de parceria histórico que estabelece uma das maiores zonas de comércio livre do planeta, abrangendo um mercado de cerca de 295 milhões de consumidores. Na cerimónia de assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai, a 17 de janeiro de 2026, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o momento como uma “vitória geopolítica” e o “alcançar de uma geração” após 25 anos de negociações.

Para Portugal, a ratificação do acordo é vista como uma faca de dois gumes, apresentando oportunidades significativas de exportação, mas também riscos estruturais para o setor agrícola. As oportunidades são muitas para setores como o vinhos e azeite onde a redução de taxas alfandegárias facilitará a entrada de vinhos e azeites portugueses num mercado de classe média em expansão. Também no setor automóvel e engenharia e calçado e texteis, Portugal poderá aumentar as vendas para o bloco sul-americano. Não esquecendo da nossa posição geográfica, especialmente através do Porto de Sines, que nos posiciona como a “porta de entrada” atlântica para as mercadorias provenientes da América do Sul. O aumento do fluxo comercial poderá potenciar o setor logístico e portuário nacional, reforçando a relevância estratégica de Portugal no comércio transatlântico em 2026.

As grandes desvantagens para o nosso país neste acordo estão no setor agrícola com a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) a expressar preocupação com a “concorrência desleal”. Além dos padrões de produção serem mais elevados na Europa, o que cria um desiquilíbrio competitivo, a entrada de carnes de bovino e aves a preços mais baixos pode asfixiar o setor nacional.

O tema não é pacífico e levanta preocupações por todoa a Europa. Depois de grandes manifestações que ocorreram em Bruxelas, que levaram centenas de agricultores para as ruas no dia 18 de dezembro passado, agora foi em Berlim que muitos se manifestaram contra a assinatura deste acordo no dia em que ele era ratificado.