A World Press Photo 2026 distinguiu, na edição deste ano, trabalhos marcados por temas como a guerra, os movimentos de protesto, os incêndios florestais e os impactos das políticas migratórias nos Estados Unidos. Os vencedores foram anunciados esta quinta-feira, dia 9.
De acordo com o júri, as imagens premiadas “refletem um fotojornalismo e uma fotografia documental impactantes que destacam as questões mais prementes da nossa época, dos conflitos e do clima à cultura e à resiliência”. No total, foram selecionados 42 vencedores regionais entre mais de 57 mil fotografias submetidas por 3.747 fotógrafos de 141 países.
A presidente do júri global, Kira Pollack, sublinhou a relevância do momento atual: “Este é um momento crucial para a democracia, para a verdade, para a questão do que nós, enquanto sociedade, estamos dispostos a ver e denunciar ou a ignorar”. E deixou um apelo: “Os fotógrafos aqui reconhecidos fizeram a sua parte. Deixaram a sua marca. Agora é a nossa vez de olhar.”
Entre os trabalhos da América do Norte e Central, destacam-se imagens que retratam detenções violentas conduzidas pelo ICE, protestos em cidades norte-americanas e manifestações estudantis contra a guerra em Gaza, bem como registos dos incêndios em Los Angeles.
Na América do Sul, sobressaem projetos brasileiros como ‘Um Território de Esperança’, de Priscila Ribeiro, centrado nos desafios da habitação, e uma reportagem de Eduardo Anizelli sobre violência policial nas favelas do Rio de Janeiro. Sobre a obra de Ribeiro, o júri destacou que, “através de um retrato afetuoso e íntimo de uma avó a cuidar dos seus netos, a foto transmite alegria, união e a resiliência quotidiana de famílias que vivem em condições precárias”.
O Médio Oriente surge representado por imagens da crise humanitária em Gaza e da situação das mulheres no Afeganistão, enquanto na África os trabalhos documentam desde a guerra no Sudão ao impacto da poluição e às manifestações juvenis. Já na Ásia e Oceânia, há registos de desastres, protestos e das consequências das alterações climáticas.
Na Europa, predominam imagens da guerra na Ucrânia, a par de reportagens sobre incêndios no sul do continente e projetos ligados ao envelhecimento da população e à inteligência artificial.
Recorde-se que, na edição de 2025, Portugal também esteve entre os premiados, com a reportagem ‘Maria’, da fotógrafa Maria Abranches, que homenageava o trabalho invisível das cuidadoras e empregadas domésticas.

















