
Liliana Reis
Depois do conhecimento das sondagens da Universidade Católica no dia de ontem, confirmando a evolução da tendência da tracking poll, realizada diariamente pela CNN, ficou claro que temos apenas três candidatos com possibilidade de passar à segunda volta: João Cotrim Figueiredo, António José Seguro e André Ventura.
No binómio mais importante da teoria política – Liberdade versus Segurança – o primeiro candidato representa a Liberdade e dois últimos a segurança.
João Cotrim Figueiredo representa a Liberdade não por ter o apoio do partido Liberal, mas sobretudo por ter colocado sempre este princípio (e este direito fundamental) como fio condutor na sua vida. E, por isso, a sua candidatura representa a esperança e o otimismo em um Portugal mais moderno e mais capaz de enfrentar os desafios que se apresentarão no futuro ao nosso país, com a coragem e a responsabilidade que se impõe. Com uma visão de que o Estado deve proteger e regular sem dominar ou asfixiar e que os Portugueses devem ser exigentes com o Estado.
Na verdade, quer António José Seguro, quer André Ventura traduzem a segurança de formas diferentes, mas a coabitação no espaço público, ainda, entre cartazes da campanha para as eleições autárquicas e as eleições presidenciais revelam que ambos se socorrem do apelo à segurança para imobilizar os eleitores através do Medo.
Senão vejamos, a súplica de André Ventura ao medo é recorrente e explícita, seja através de uma lógica de ameaça permanente – o sistema, o diferente, o imigrante – seja pela normalização de um discurso autoritário que aponta para a supressão de direitos, liberdades e garantias fundamentais. Uma segurança que promete a ordem, mas esvazia a autonomia e o livre-arbítrio. Por outro lado, a linguagem, incluindo a semiótica, de António José Seguro, apesar de ser diferente na aparência, não é diferente na substância. A ideia de segurança que introduz também é castradora, pela promoção do imobilismo, da previsibilidade e pela conservação do país como está. É uma segurança tranquila, mas profundamente paternalista. Não ameaça a democracia, mas compromete a liberdade do indivíduo através do reforço do Estado. Com efeito, trata-se de nada fazer e nada mudar. Como se estivesse tudo bem, que todos nós reconhecemos que não está! Mudar apenas os protagonistas desta alternância confortável e segura de cadeiras entre aqueles que nos têm ensinado a pensar e a comportar.
Entre a segurança musculada de Ventura e a segurança conformista de Seguro, João Cotrim Figueiredo rejeita a intimidação e a tutela, convocando-nos para a Liberdade e mobilizando-nos para o seu exercício responsável, que não escamoteia os riscos, mas que recusa instrumentalizar o medo.
No próximo domingo quem votará em João Cotrim Figueiredo estará a dizer que a democracia Portuguesa não precisa de menos Liberdade para continuar a ser segura, mas precisa de mais liberdade para ser, verdadeiramente, democrática.

Liliana Reis
A história comum da época dos Descobrimentos revela-nos muitas virtudes dos nossos antepassados. Aquela que considero crucial para as nossas conquistas é a coragem. Na verdade, a nossa obra literária maior “Os Lusíadas” são um Tratado dessa virtude moral do nosso povo. Não se trata de uma ausência de medo ou de uma temeridade inconsciente, mas conhecendo os riscos e os limites, enfrentá-los mesmo assim. Do ponto de vista coletivo, a coragem adquiriu, na linguagem camoniana, um padrão de exigência para a ação.
A pergunta que se coloca é: Quando é que a cobardia nos capturou? Quando é que a coragem épica que celebramos se distanciou da coragem política que evitamos? Não consigo encontrar na História de Portugal, o momentum definidor dessa viragem, mas antecipo que o medo se instalou, definitivamente, quando os portugueses perceberam que, mesmo, com a Liberdade que Abril lhes devolvera, o “respeitinho” continuava a ser muito bonito. Por isso, a nossa cobardia começa quando expulsamos não apenas o conflito, mas também o risco, a decisão e a liberdade individual. Quando policiamos as nossas palavras, quando tememos a nossa associação política, quando deixamos de pensar por nós-mesmos e as nossas escolhas passaram a ser compensatórias e não ideológicas ou éticas. Quando deixámos de ser livres, com medo do que possa advir desse exercício de bravura. E com o medo vem, necessariamente, a previdência, o pessimismo, a descrença, o ódio e a inveja. E isto passa-se na maior parte das instituições públicas deste país, sobretudo aquelas em que as lideranças são por eleição, como os Conselhos Gerais das Universidades. Ocorre, também, do poder executivo local ao poder executivo nacional. Mas observa-se, também, no setor privado. Em todos constata-se um padrão: o temor da perda de emprego, de comprometer a progressão na carreira, ou de perder clientes cruciais e arruinar negócios. Esta “metastização” formal e informal do poder “por quem manda” por sucessão, tem-nos paralisado individualmente e comprometido o passado democrático de Portugal. Confiamos que o mito da epopeia passada nos absolve da cobardia presente. No “O Labirinto da Saudade”, Eduardo Lourenço revela-nos que não. Apenas hipoteca o futuro dos portugueses que virão.
Eu apoio o João Cotrim de Figueiredo porque quero viver num país, genuinamente, democrático e livre. Em que nenhum de nós seja penalizado pelo que pensa, pelo que diz ou pelas escolhas políticas que faz. Porque reconheço que falta cumprir-se Abril. Recuperando Fernando Pessoa porque “Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal.”

Liliana Reis
Tradicionalmente, na literatura e na vida, os mais jovens são confrontados com a necessidade de ouvir os conselhos dos anciãos e seguirem a sua sapiência. Ora para guiarem a sua vida segundo os padrões que imperam nessa sociedade, ora para os protegerem de erros que os mais experientes foram cometendo ao longo da sua vida. Em ambas as situações, observa-se uma benevolência condescendente daqueles que já viveram mais tempo. A vivência é, sem dúvida, um valor, mas não pode se transformar em autoridade incontestável, caso contrário cristaliza obstáculos que impedem as reformas necessárias. Em sociedades envelhecidas, como aquela que temos em Portugal, o impacto desta boa-vontade vetusta tem condicionado os últimos 50 anos da democracia portuguesa, seja pela defesa excessiva de uma estabilidade que não nos tem permitido sair da cauda da Europa em vários indicadores socio-económicos, seja pela prudência de não se alterarem os protagonistas políticos do Regime, seja pelo imobilismo que nos constrange e nos acobarda. Mas a democracia portuguesa enfrenta, hoje, desafios que necessitam, mais do que nunca, do diálogo e da articulação intergeracional. Para isso, os mais experientes terão que ouvir e compreender os mais jovens. O que os preocupa, quais são as suas expectativas, afinal serão eles que ficarão por cá durante mais tempo. Hermann Hesse, no rescaldo da I GM, em 1919, quando em Versailles se discutia a nova Ordem Mundial, apresentava-nos uma crítica profunda à autoridade moral herdada, na sua obra Demian, e à ideia de que a maturidade consiste em adaptar-se ao mundo tal como ele é, não apenas o mundo claro e paternal, mas também o mundo frio e sombrio, Para o escritor, a juventude é o momento em que o individuo tem a lucidez inicial para perceber os vícios da ordem social em que vive e ainda não aprendeu a normalizar a injustiça.
Ao longo dos debates, João Cotrim de Figueiredo, tal como Damien ensaiou inquietar-nos e colocar propostas para o futuro. Mas foi mais longe. Destapou que o sistema político português foi-se organizando para proteger os interesses instalados, transferindo os custos e os riscos para aqueles que foram chegando, sempre, mais tarde e, naturalmente, acomodando cálculos estratégicos eleitorais, que sempre beneficiou os candidatos do status quo. Esta leitura do Cotrim não é política, nem tão pouco social ou económica. É ética e moral. E todos nós, que somos pais e avós, devemos perceber que preservar privilégios atuais à custa de oportunidades futuras, pode comprometer a democracia, enquanto pacto entre gerações, a qual passa a operar como mecanismo de exclusão temporal, mas também a alienar os mais jovens que olham, cada vez mais, com desconfiança para sistemas democráticos demasiado herméticos e opacos. A democracia não é apenas um sistema de escolha é, também, um exercício permanente de auscultação. O convite que deixo a todos, neste dia de Natal, é para que ouçam os jovens que estão à mesa, o que têm eles a dizer sobre o futuro de Portugal e o porquê da escolha para a Presidência da República deve recair em João Cotrim de Figueiredo, sem a arrogância pedagógica adulta.
Liliana Reis, professora universitária e apoiante de João Cotrim de Figueiredo.

Liliana Reis
Nos últimos tempos, têm vindo a público várias sondagens, de diferentes empresas e universidades e, naturalmente, com amostras e metodologias distintas. Por isso, não será muito prudente, ainda mais com a dispersão de intenções de voto e o mês que, ainda, nos separa do dia 18 de janeiro de 2026, projetar resultados de sondagens, estudos de opinião ou inquéritos para resultados finais, antecipando quem passará à segunda volta.
No entanto, todas as sondagens, à exceção da sondagem realizada pelo ISCTE-IUL para a SIC/Expresso, têm revelado uma dinâmica de crescimento de um candidato – João Cotrim de Figueiredo, contrariamente a todos os demais candidatos. A este respeito, alguns autores como Michael Lewis-Beck e Helmet Norpoth, referiram que o crescimento sustentado, revelado pelo momentum eleitoral, é um forte indicador de consolidação futura. Com efeito, os candidatos em crescimento tendem a atrair o maior número de eleitores indecisos. Não é o voto acrítico naquele “que vai vencer” mas um bandwagon racional “naquele que tem uma elevada viabilidade de vencer e ajusta-se melhor às minhas preferências”. O voto deixa de ser simbólico e passa a ser estratégico. Porque conta, verdadeiramente.
Para Norpoth, a tendência ascendente pode mesmo modificar as expectativas racionais dos eleitores, uma vez que alteram a avaliação dos custos-benefícios e o candidato passa a ser visto, realisticamente, como competitivo e possível vencedor. Por isso, todos os eleitores, que viam o Cotrim como “um bom candidato, mas um voto desperdiçado” começam agora a perceber que a verdadeira utilidade do voto na democracia, sobretudo em eleições diretas, em que não se observa a distribuição dos votos por círculos eleitorais, é aquela que se faz em total liberdade e consciência, naquele candidato que se considera ser o melhor para assegurar as funções garantidas constitucionalmente, como a Representação de Portugal ou o uso do poder de veto. Ademais, e num quadro eleitoral democrático, os eleitores não deverão cingir a sua escolha a “um mal menor”, seja por medo ou por descrença, mas sempre ao “bem maior” pela coragem e esperança num Futuro melhor para Portugal.
Liliana Reis, professora universitária e apoiante de João Cotrim de Figueiredo.

Liliana Reis
Estas eleições presidenciais são ímpares em muitos aspetos, dos quais se destacam o curto hiato temporal entre as eleições legislativas em maio e as eleições autárquicas, em outubro deste ano, mas também a pulverização dos votos entre os candidatos, dificultando uma antecipação de possíveis resultados, parecendo ecoar, ainda que com uma distância de 40 anos, as eleições de 1986.
Tal como então, sente-se hoje, uma sensação de encruzilhada, mas também de redefinição. Se em 1986, se discutia o lugar de Portugal na Europa e a sua modernização, hoje deveria discutir-se a sobrevivência da Europa, o cansaço das narrativas repetidas ad nauseum em Portugal. Por isso, estas eleições revestem-se de uma importância decisiva no quadro da “ética da responsabilidade” recuperando Max Weber, não apenas para quem vai ocupar o mais Alto Cargo da Nação, mas para todos os eleitores. Não será, pois, surpreendente, pela ética da responsabilidade que reconhecemos a Pedro Passos Coelho, que este se tenha furtado, até ao momento, em manifestar apoio ao candidato apoiado pelo PSD. Ao permanecer imóvel revela que o “poder simbólico” de Bourdieu, também se pode exercer pela ausência, reconhecendo que a aposta na continuidade institucional de um ciclo, alimenta a crise democrática que vivemos, através da rejeição crescente das instituições e do desgaste político, o que tem contribuído, decisivamente, para a erosão da Democracia.
Liliana Reis é professora universitária e apoiante de João Cotrim de Figueiredo