A jornalista Tânia Laranjo, habituada a cenários de crime e tribunal na CMTV, encontrou um novo tipo de “delito” para analisar: o recrutamento sénior da SIC para o programa ‘Casados à Primeira Vista’. Num comentário carregado de sarcasmo, a repórter não escondeu a sua indignação perante um casal que, em vez de juras de amor, trocou insultos dignos de um “leilão de defeitos”.

Para Laranjo, a experiência social da concorrência atingiu o auge do absurdo ao juntar dois reformados em “idade de ter juízo”. A jornalista ironizou a postura da noiva, que avaliou o futuro marido como quem “escolhe melões no supermercado”, rejeitando-o de imediato por ser “baixo e barrigudo”. Mas o verdadeiro “crime” estaria na retaliação: o noivo, que afinal não tinha 65 anos mas sim 75 — numa gestão de idade tão flexível como o saldo de um cartão de refeição —, preferiu focar-se na “falta de dentição” da noiva perante as câmaras de todo o país.

Indignada, a jornalista questiona a sanidade do formato, onde a “sinceridade agressiva” substitui o romance e as suposições sobre próteses dentárias se tornam entretenimento de horário nobre. O veredito de Laranjo é claro: o mundo não está doido, está apenas a ser filmado, e se o amor é cego, neste programa precisa urgentemente de óculos bifocais e de uma política de devolução gratuita.