A jornada europeia desta semana concretizou a ultrapassagem de Portugal aos Países Baixos no ranking UEFA e o regresso de Portugal ao 6.º lugar, que precisa de ser confirmado no final da temporada para produzir efeitos em 2027/28, e António Salvador, presidente do SC Braga, aproveitou o feito para fazer uma profunda reflexão (muito crítica) sobre o futebol português.
“O 6.º lugar recuperado esta semana tem nomes e não são outros se não estes: SL Benfica, Sporting CP, FC Porto e SC Braga, os únicos que pontuaram em todas as cinco épocas que contam para o ranking. A eles há que juntar o Vitória SC e a sua extraordinária, ainda que excecional, campanha na UEFA Conference League 2024/25. Os restantes clubes nacionais envolvidos não foram além das rondas de qualificação”, começa por escrever Salvador no jornal O Jogo, este sábado, dia 31.
“Nada se fez para dar aos clubes portugueses melhores condições competitivas. Ao nível político, não se diminuíram custos de contexto, nem se potenciaram fontes de receita. Nas instâncias desportivas, não se alteraram quadros competitivos, nem se manipularam as ferramentas existentes com vista à finalidade, no interesse geral, do rendimento europeu”, continua o líder dos arsenalistas, acrescentando: “Estruturalmente, nada aconteceu para que Portugal recuperasse o 6.º lugar do ranking, pelo que apenas a competência individual dos clubes suportou um sucesso que, está bom de ver, será tão frágil quanto frágeis são os alicerces que os suportam.”
António Salvador confessa que “o tempo não é, pois, de celebração”: “O tempo tem de ser de inquietude e de antecipação, porque de outra forma há uma conclusão óbvia e inevitável: mais cedo do que tarde, Portugal vai perder o 6.º lugar e com ele vai perder dinheiro. Não é um problema particular ou de uma elite, é um problema coletivo. A receita combinada da participação nacional nas provas europeias está em vias de se tornar na mais importante fonte de rendimentos do futebol profissional em Portugal – com a exceção da transferência de jogadores, altamente dependente dessa mesma performance internacional. Estando a UEFA em negociações de direitos para o ciclo 2027-2030 e com sólidas perspetivas de um crescimento na casa dos 20%, é fácil de compreender que em causa estão muitos milhões de euros que o nosso futebol não pode desperdiçar.”
Elogiando a Liga Portugal, ao posicionar o tema através do ‘Meta 2028’, o presidente do SC Braga recorda, no entanto, que falta passar do plano à ação e que as grandes opções estratégicas reflitam de facto esse compromisso: “Se assim for, o óbvio e natural é que se usem as ferramentas à disposição e aqui é impossível não considerar à cabeça a centralização dos direitos audiovisuais e os quadros competitivos, como de resto venho reclamando há largos anos. Se o futebol português estiver realmente alinhado com o objetivo da sua competitividade externa, há que refleti-lo nas opções a tomar. Tal passará por não abalar significativamente as condições de que os nossos principais clubes beneficiam, em concreto o SL Benfica, o Sporting CP e o FC Porto; mas terá forçosamente de contemplar a quebra do fosso que existe para o grupo que se segue, encabeçado pelo SC Braga, cujos resultados raramente se apreciam com base na desproporção dos seus recursos face aos três maiores clubes.”
Por fim, António Salvador pede que se “concretizem” os programas que recentemente elegeram os presidentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga Portugal, havendo neles muitas rubricas que vão garantir a redução dos custos de contexto e o incremento de receitas e de condições competitivas: “A força política do nosso futebol não se pode esgotar nas grandes cerimónias e nas fotos de ocasião.”

















