Com apenas 20 anos, Filipa Pipiras já fez história: é a primeira mulher portuguesa a alcançar o título de Grande Mestre Feminina do xadrez. A conquista foi oficializada no festival Grenke Open, dedicado à modalidade, em Karlsruhe, na Alemanha. Agora, falta-lhe apenas uma norma para ser Mestre Internacional.
Contas feitas no final do torneio, Filipa Pipiras terminou como a melhor feminina, na 42.ª posição, entre 998 jogadores, “um feito assinalável para quem era a número 233 à partida”, elogiou a Federação Portuguesa do Xadrez, em comunicado. Terminou com 2.320 pontos, ultrapassando os 2.300 necessários para conseguir o título de Mestre Feminina.
Nascida na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, vive no Porto e compete pelo Colégio Efanor, no desporto que iniciou aos nove anos. Concilia as competições com os estudos do curso de Medicina, na Universidade do Porto.
Este é já o segundo recorde que Filipa Pipiras bateu. Há três anos, chegou ao top 10 absoluto português. Mas a ambição não fica por aqui. Agora, almeja atingir a próxima meta: ser Grande Mestre absoluta, o escalão máximo da hierarquia internacional, “talvez já no próximo ano”. “Ser profissional é o meu sonho”, mesmo que tenha de sacrificar outras partes da sua vida, contou à Lusa.
Ao Jornal de Notícias, Filipa Pipiras partilhou que ainda ouve comentários sexistas e que o desequilíbrio entre jogadores e jogadoras persiste, tanto em Portugal como no estrangeiro. “Há menos jogadoras do que jogadores, e isso naturalmente reflete-se na visibilidade, nas referências e até no ambiente competitivo. Também continuam a existir comentários sexistas, por vezes subtis, por vezes mais explícitos”, contou.
No festival alemão também participaram outros jogadores de topo portugueses, com destaque para o mestre internacional José Bárria (2373 pontos), que terminou na 27.ª posição.

















