O Benfica e a operadora NOS confirmaram esta segunda‑feira ter chegado a um entendimento para a cedência dos direitos de transmissão televisiva e multimédia dos encontros caseiros da equipa principal nas épocas de 2026/27 e 2027/28, num acordo que totaliza 104,6 milhões de euros.

Para Miguel Farinha, o ‘country managing partner’ da consultora EY, que elabora o Anuário do Futebol Profissional Português, estes números representam uma “ótima notícia” para o futebol português, que “continua a demonstrar mais valor de ano para ano”.

“Pela leitura dos contratos, temos sempre um valor pelos direitos televisivos acima dos 50 milhões de euros por época. Tendo em conta que o Benfica tinha um valor anterior na casa dos 40 milhões de euros, parece-me que há uma valorização importante deste produto ao fim destes anos”, sublinhou à agência Lusa.

Após uma década em que vendeu os direitos televisivos à NOS por um total de 400 milhões de euros – cerca de 40 milhões de euros por temporada –, o Benfica conseguiu uma valorização mínima de 20%. Caso esta percentagem fosse aplicada ao conjunto da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), os 200 milhões de euros previstos nos estudos sobre o futebol nacional poderiam subir para 250 milhões de euros, um intervalo que tem vindo a ser mencionado pela comunicação social em relação à centralização dos direitos.

“Isso indica que, aparentemente, os valores são compatíveis com a expectativa da LPFP. Se extrapolarmos a valorização que o Benfica conseguiu para o futebol como um todo, e relembro que o Benfica faz parte do ecossistema da LPFP, diria que os valores podem ser bastante simpáticos”, acrescentou Miguel Farinha.

O responsável da EY Portugal destacou também que o clube da Luz colocou “a barra mais alta” no “valor que lhe é implícito” por época, recordando que “o princípio base do processo de centralização” é assegurar que “nenhuma das sociedades desportivas seja prejudicada”.

A partir da temporada 2028/29, os direitos audiovisuais dos dois escalões profissionais do futebol português passarão a ser negociados de forma centralizada, seguindo o modelo definido em março de 2021, resultado do memorando de entendimento assinado em 19 de janeiro desse ano entre a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a LPFP.

O decreto-lei especifica que as “propriedades comerciais” abrangem o jogo de futebol, “o pré-jogo, o pós-jogo, com as ‘flash interviews’ e os resumos passados pelos canais generalistas”, detalhou Miguel Farinha.

Para conduzir o processo, a LPFP criou a empresa Liga Centralização, que integra representantes de clubes como Alverca, FC Porto, Sporting de Braga, Sporting, Vitória de Guimarães, Feirense, Leixões e Marítimo.